Senado dos EUA aprova financiamento para governo Trump, mas com restrições para o ICE após caos em aeroportos
O Senado dos Estados Unidos deu um passo importante nesta sexta-feira (27) ao aprovar a maior parte do financiamento para o Departamento de Segurança Interna, que estava bloqueado há um mês. Esse impasse gerou um caos considerável nos aeroportos de todo o país, com muitos funcionários da segurança sem receber salários.
A falta de recursos afetou diretamente a Administração de Segurança no Transporte (TSA), levando à paralisação de agentes e resultando em longas filas nos principais aeroportos americanos. A situação se tornou insustentável, forçando uma negociação entre os partidos.
A proposta agora segue para a Câmara dos Representantes, onde a decisão final sobre a liberação completa dos fundos, especialmente para o Serviço de Alfândega e Imigração (ICE), ainda será tomada. Democratas e republicanos divergem sobre o uso dessas verbas.
Democratas impõem restrições ao financiamento do ICE
A aprovação no Senado, conforme informações divulgadas, destina fundos para setores cruciais como a TSA e a Guarda Costeira, além de agências como a FEMA e a CISA. No entanto, os democratas conseguiram manter restrições significativas sobre o financiamento destinado ao ICE e parte da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). A oposição democrata se baseia em insatisfações com as operações e a postura dos agentes do ICE.
O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, destacou que o acordo beneficia áreas importantes para a segurança nacional, mas ressaltou a firmeza dos democratas em não apoiar o aumento de financiamento para o ICE sem reformas substanciais em suas operações. Essa posição reflete a preocupação com a atuação da agência.
Caos em aeroportos levou ao envio de agentes do ICE
Diante do caos e das filas extensas nos aeroportos, o governo federal tomou a medida de enviar agentes do ICE para auxiliar no controle de passaportes e na segurança. Segundo a agência de notícias Reuters, esses agentes foram deslocados para pelo menos 14 aeroportos importantes nos Estados Unidos, incluindo Atlanta, JFK em Nova York, Cleveland e Phoenix.
Em uma publicação nas redes sociais, o presidente Donald Trump comentou sobre a atuação dos agentes do ICE nos aeroportos, destacando que, ao contrário de outras operações, eles não usariam máscaras. Essa observação gerou debates sobre os protocolos de segurança e a visibilidade dos agentes em áreas públicas.
Democratas exigem mudanças políticas e o governo concorda com algumas
Os democratas apresentaram uma série de exigências políticas para o orçamento do ICE. Entre as principais estão a necessidade de um mandado judicial para que agentes possam entrar à força em residências, a obrigatoriedade de identificação visível nos uniformes dos agentes e a proibição do uso de máscaras durante as operações. Essas medidas visam aumentar a transparência e o controle sobre as ações do ICE.
Em resposta, o governo Trump afirmou ter concordado com algumas mudanças, como a expansão do uso de câmeras corporais pelos agentes, com exceção para operações secretas, e a limitação de atividades de fiscalização em locais sensíveis, como hospitais e escolas. Essas concessões indicam uma tentativa de chegar a um consenso.
Mudanças na liderança do Departamento de Segurança Interna
Os republicanos apontam que mudanças na liderança do Departamento de Segurança Interna, como a saída da secretária Kristi Noem e a nomeação de Tom Homan para liderar operações em Minneapolis, demonstram a intenção do governo em promover ajustes nas atividades do ICE. Essas movimentações são vistas como um sinal de que a administração está buscando reformular a forma como a agência opera, em resposta às pressões políticas e à necessidade de financiamento contínuo.