Combate à dengue será prioridade máxima da nova Coalizão Global de Saúde, liderada pelo Brasil no G20

O Ministério da Saúde anunciou que o combate à dengue será o primeiro grande foco de atuação da recém-formada Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. Esta iniciativa, nascida sob a presidência brasileira do G20 em 2024, tem como missão principal garantir que medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde cheguem a todos, com atenção especial aos países em desenvolvimento que enfrentam maiores obstáculos na produção e inovação.

A escolha da dengue como eixo prioritário se deve à sua natureza endêmica em mais de 100 países, afetando cerca de metade da população mundial. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a expansão da doença está intrinsecamente ligada às mudanças climáticas, que criam condições ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor de diversas arboviroses como zika, chikungunya e febre amarela.

A coalizão conta com a participação de importantes nações como África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana, além do Brasil. A Fiocruz assumirá o secretariado executivo, impulsionando a cooperação internacional e a formação de competências locais em ciência, tecnologia e indústria, conforme destacado pelo presidente da instituição, Mario Moreira.

Vacina da dengue e parcerias estratégicas impulsionam o combate

Um exemplo prático dessa colaboração é a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Butantan DV. Um acordo com a empresa chinesa WuXi visa ampliar a capacidade de produção, com a meta de entregar aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. O ministro Padilha enfatizou a visão de um mundo com mais acesso a vacinas e medicamentos, em detrimento de conflitos e mortes.

Brasil avança na produção nacional de medicamentos essenciais

Outro marco importante anunciado é o início da produção 100% nacional do medicamento imunossupressor Tacrolimo, crucial para pacientes transplantados e que hoje é fornecido pelo SUS a cerca de 120 mil brasileiros. A transferência tecnológica completa, realizada em parceria com a Índia, garante maior segurança no suprimento do medicamento, que pode custar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil mensais por paciente.

A produção local do Tacrolimo assegura que o tratamento chegue aos pacientes independentemente de crises globais, como conflitos ou pandemias, garantindo a continuidade do cuidado. A iniciativa reforça a autonomia do país na produção de fármacos vitais para a saúde pública.

Investimento em tecnologia de ponta: centro de vacinas de RNA mensageiro na UFMG

O Brasil também dará um passo significativo no desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro (mRNA) com a instalação de um novo centro de competência na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Este investimento de R$ 65 milhões soma-se às plataformas já em desenvolvimento na Fiocruz e no Instituto Butantan, que contam com cerca de R$ 150 milhões em recursos federais.

A tecnologia de mRNA, que utiliza o código genético do patógeno para instruir o corpo a produzir anticorpos, permitirá ao Brasil não apenas absorver e desenvolver tecnologias para diversas doenças, mas também estar preparado para responder rapidamente a novas pandemias ou ao surgimento de novos vírus, fortalecendo a capacidade nacional de resposta em saúde pública.