Ataque ao Irã: Entenda por que EUA e Israel veem uma oportunidade única em ofensiva neste momento

A recente decisão dos Estados Unidos e de Israel de intensificar o conflito com o Irã, após um ataque coordenado, marca um momento de alta periculosidade com desdobramentos imprevisíveis. Embora Israel tenha classificado a ação como “preventiva”, evidências sugerem que não se trata de uma resposta a uma ameaça iminente, mas sim de uma “guerra de escolha”, conforme análise das fontes.

A avaliação de Washington e Tel Aviv parece ser de que o regime iraniano encontra-se em um estado de vulnerabilidade. A grave crise econômica, a repressão a manifestantes e os danos às suas defesas após confrontos anteriores criaram o que eles percebem como uma janela de oportunidade única para enfraquecer o governo em Teerã.

Essa nova fase de conflito representa, também, mais um golpe no já fragilizado sistema de direito internacional. Tanto o presidente americano Donald Trump quanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declararam que o Irã representa um perigo, com Trump qualificando-o como uma ameaça global. Conforme informação divulgada pelas fontes, a justificativa legal de legítima defesa diante de uma disparidade de poder tão grande entre as nações envolvidas é questionável.

Objetivos Estratégicos e Políticos em Jogo

Benjamin Netanyahu, que há décadas considera o Irã o inimigo mais perigoso de Israel, vê nesta ofensiva uma chance de causar danos significativos ao regime e à sua capacidade militar. Além disso, com eleições gerais previstas para este ano em Israel, as fontes indicam que Netanyahu pode acreditar que um cenário de guerra fortalece sua posição política, como observado em conflitos anteriores.

Os objetivos de Donald Trump, por outro lado, têm demonstrado uma natureza mais volátil. Em janeiro, ele prometeu ajuda a manifestantes no Irã, mas a Marinha dos EUA estava ocupada em outra operação. Com o envio de recursos militares significativos para a região, Trump tem enfatizado os perigos das ambições nucleares iranianas, apesar de ter declarado anteriormente que o programa havia sido “aniquilado” após um conflito em junho passado.

O Debate Nuclear e a Busca por Mudança de Regime

O Irã sempre negou o desejo de possuir armas nucleares, mas seu enriquecimento de urânio atingiu níveis que excedem o uso civil em programas de energia nuclear, levantando preocupações sobre a possibilidade de desenvolver uma bomba. As fontes apontam que Israel e os EUA não apresentaram evidências concretas de que tal desenvolvimento estivesse iminente.

Em um vídeo divulgado neste sábado, Trump declarou que a “hora da liberdade” estava próxima para o povo iraniano. Netanyahu expressou uma mensagem semelhante, sugerindo que a guerra poderia dar aos iranianos a chance de derrubar o regime. No entanto, a mudança de regime impulsionada apenas por ataques aéreos não possui precedentes históricos seguros.

Riscos de Instabilidade e Falha Estatal

A deposição de Saddam Hussein no Iraque e de Muammar Gaddafi na Líbia, embora resultantes de intervenções militares significativas, levaram a colapsos estatais, guerras civis e milhares de mortes. A Líbia permanece um estado falido, e o Iraque ainda lida com as consequências da invasão.

Mesmo que a força aérea sozinha pudesse derrubar um regime, a substituição do governo islâmico por uma democracia liberal é incerta, pois não há um governo alternativo credível no exílio. O regime iraniano, com quase meio século de existência, construiu um sistema complexo baseado em ideologia, corrupção e força, demonstrando disposição para reprimir violentamente qualquer oposição.

A Complexidade do Regime Iraniano e o Papel da Ideologia

Uma estratégia de assassinato do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, pode ser considerada por Israel, que tem histórico de eliminar líderes de grupos como Hamas e Hezbollah. Contudo, o regime iraniano é um Estado, não um movimento armado isolado. A morte de Khamenei provavelmente resultaria na ascensão de outro clérigo apoiado pela Guarda Revolucionária Islâmica, força encarregada de defender o regime.

A oferta de Trump de imunidade a membros das forças de segurança iranianas caso depusessem as armas é improvável que seduza o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, onde o martírio é um tema central na ideologia xiita. A visão transacional de Trump sobre a política contrasta com a complexidade ideológica e de crenças que moldam o Irã, um fator mais difícil de mensurar e gerenciar.

Negociações Fracassadas e Incerteza Regional

À medida que a crise se intensificou, o Irã parecia considerar a guerra inevitável, apesar de participar de negociações. A desconfiança mútua é alta, especialmente após a saída dos EUA do acordo nuclear (JCPOA) durante o primeiro mandato de Trump. O Irã poderia ter aceitado uma nova versão do acordo para ganhar tempo, mas as exigências americanas de restrições a mísseis e apoio a aliados regionais foram vistas como inaceitáveis, equivalendo a uma capitulação.

Os líderes iranianos agora calculam como navegar pela guerra e suas consequências. Países vizinhos, como a Arábia Saudita, certamente estão apreensivos com a instabilidade crescente. A capacidade do Oriente Médio de exportar problemas significa que uma guerra intensificada aprofunda a turbulência regional e global, já marcada por violência e perigo, conforme apontam as fontes.