Junho de chuvas acima da média no AM: Alerta de abafamento intenso em Manaus e impacto nos rios

O mês de junho marca o início da transição climática no Amazonas, tradicionalmente o começo do período “menos chuvoso”. Neste ano, porém, a previsão é de chuvas intercaladas e volumes ligeiramente acima da média em algumas regiões, conforme o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Em Manaus, a população deve se preparar para dias de intenso abafamento, com temperaturas acima do normal para a época do ano. A umidade da floresta, combinada com o calor, intensifica a sensação de ar pesado, exigindo cuidados redobrados com a hidratação.

Esses padrões climáticos, influenciados pelo aquecimento do Oceano Atlântico e pela chegada do El Niño, trazem implicações diretas para o ciclo hidrológico do estado, com possíveis reflexos no nível dos rios. Conforme informação divulgada pelo CPTEC/INPE.

Chuvas acima da média em partes do Amazonas

De acordo com o CPTEC/INPE, as chuvas em junho devem ficar entre 5 mm e 60 mm acima do esperado nas regiões sudoeste e centro-leste do estado. Em Manaus, a previsão indica a ocorrência de pancadas rápidas e isoladas no período da tarde, acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento.

Especialistas explicam que, diferente de outras partes do Brasil, o inverno amazônico é caracterizado pela alternância entre períodos de mais e menos chuva. Em 2024, o início da fase menos chuvosa não significa ausência de precipitação, mas sim dias secos intercalados com pancadas de chuva isoladas.

Abafamento intenso e noites quentes em Manaus

Em Manaus, a expectativa é de calor mais intenso, com temperaturas entre 1°C e 2°C acima da média histórica para junho, segundo mapas do CPTEC. A meteorologista Andrea Ramos explica que a alta umidade da floresta amazônica potencializa a sensação de abafamento com o aumento da temperatura.

As noites também devem permanecer quentes, especialmente na capital amazonense. Por conta desse mormaço e do ar pesado, médicos alertam para a necessidade de **beber bastante água** para evitar complicações de saúde decorrentes do calor e da umidade.

Impacto no ciclo hidrológico e nos rios

O volume de chuva previsto para algumas regiões do Amazonas deve trazer reflexos diretos no ciclo hidrológico do estado. A meteorologista Andrea Mendes destaca que a presença de anomalias positivas de precipitação no sudoeste e centro-leste do Amazonas indica a **manutenção de aportes hídricos nas bacias**.

Esse padrão favorece a estabilização ou uma elevação mais lenta da vazante dos rios, podendo inclusive atrasar o início desse processo em trechos mais sensíveis. Em rios de grande porte, como o Negro e o Solimões, há sinal para repiquetes pontuais, especialmente se ocorrerem episódios organizados de chuva persistente a montante.

Influência do El Niño e cuidados necessários

O cenário atual é influenciado pelo aquecimento do Oceano Atlântico e pela chegada do El Niño, fenômeno que instituições internacionais preveem que se intensificará a partir de agosto. Geralmente, o El Niño traz consigo períodos de **seca e calor intenso** para a região Norte.

Em junho, os efeitos do El Niño ainda são graduais. As chuvas previstas para este mês podem ajudar a segurar o nível dos rios por um tempo, mas não resolvem completamente o problema a longo prazo. A população é orientada a se manter informada e a seguir as recomendações de saúde, especialmente em relação à hidratação em dias de abafamento.