Flávio Bolsonaro é apontado como responsável por ameaças ao Pix e tarifaço em 8 de 10 mensagens opinativas, diz levantamento.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) está no centro de um debate acalorado em grupos públicos de WhatsApp e Telegram. Uma análise da empresa de dados Palver revela que a maioria das opiniões expressas sobre a recente viagem do senador aos Estados Unidos e a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros o responsabiliza por essas questões.
A pesquisa, que monitorou mais de 100 mil grupos entre 27 de maio e 2 de junho, indica que 81% das mensagens opinativas associam Flávio Bolsonaro, direta ou indiretamente, a ameaças ao sistema de pagamentos instantâneos Pix ou ao anúncio de novas tarifas pelos EUA. A análise excluiu mensagens neutras, como compartilhamento de links sem comentários.
O período de monitoramento coincide com a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e seu encontro com Donald Trump. A partir dessa aproximação, aliados do presidente Lula passaram a disseminar a tese de que tal contato representava um risco ao Pix. Essa narrativa ganhou força com o anúncio de novas tarifas contra produtos brasileiros, cujas decisões finais dependem da aprovação de Trump.
“Tariflávio”: A estratégia para associar o senador à crise econômica
Apoiadores de Lula têm impulsionado o termo “Tariflávio” nas redes sociais, buscando vincular o senador à instabilidade econômica. Políticos do centrão e até mesmo aliados de Flávio Bolsonaro reconhecem que a imposição de novas tarifas pode representar um revés significativo para a campanha presidencial do senador.
Em resposta às acusações, Flávio Bolsonaro enviou uma carta ao governo Trump solicitando que os Estados Unidos não imponham tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Na missiva, o senador destacou a “grave deterioração fiscal e econômica” do Brasil, alertando que as tarifas “causariam sérios prejuízos ao povo brasileiro”.
Governo brasileiro aposta no desgaste de Flávio Bolsonaro
O governo brasileiro, por sua vez, pretende manter negociações com os EUA e acredita haver chances de evitar as taxas sugeridas. Paralelamente, busca potencializar o desgaste de Flávio Bolsonaro, visto como o principal adversário de Lula nas eleições de outubro. A decisão americana de designar grupos como terroristas e a pressão sobre o governo Lula reforçam esse cenário.
O relatório da Palver aponta que as mensagens predominantes acusam o senador e sua família de “traição à pátria” e de alinhamento a interesses estrangeiros. Essa narrativa, que descreve a ofensiva americana como um ataque a uma conquista brasileira, ecoa o discurso adotado por Lula em suas manifestações públicas.
Argumentos de defesa e as nuances do debate
As mensagens que isentam Flávio Bolsonaro do “Tariflávio” se concentram em três linhas de argumentação. Uma delas classifica as acusações como desinformação ou manobra política da esquerda. Outra linha nega qualquer risco concreto ao Pix, afirmando que o sistema não será afetado.
Uma terceira vertente defende que a atuação do senador nos EUA visava o combate ao crime organizado, criticando o governo Lula por usar o tema para desgastar o pré-candidato do PL. Mensagens citadas no levantamento incluem frases como “Bolsonarismo se consolida como principal movimento de traição à pátria da história” e “Fake news“, defendendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O levantamento da Palver analisou publicações que mencionam o Pix em conjunto com os nomes de Bolsonaro, Flávio, Trump ou Estados Unidos. É importante ressaltar que a pesquisa mede o teor das mensagens em grupos públicos e não reflete a opinião geral da população, não possuindo amostra representativa nem margem de erro.