Comunidade Indígena Três Unidos no Amazonas Finalmente Tem Energia Elétrica Contínua com Usina Solar
Mais de três décadas após a chegada de seus primeiros moradores, em 1991, a Comunidade Indígena Três Unidos, situada na Área de Proteção Ambiental do Rio Negro, no interior do Amazonas, celebrou um marco histórico: a inauguração de uma usina fotovoltaica que garante o fornecimento de energia elétrica contínua. A iniciativa, que atende cerca de 45 famílias, representa um avanço significativo para a qualidade de vida e o desenvolvimento local.
O projeto, fruto de uma colaboração internacional e implementado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), não só proporciona acesso à energia, mas também contribui para a redução do impacto ambiental. A energia solar substitui o uso de combustíveis fósseis, como o diesel, promovendo economia e diminuindo a emissão de gases poluentes na região amazônica.
Essa conquista é resultado de um esforço conjunto que envolveu o Ministério Federal da Alemanha para o Meio Ambiente, por meio da International Climate Initiative (IKI) e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), e a expertise da FAS. Conforme informação divulgada pelo g1, a usina solar agora garante o fornecimento de energia, representando uma economia estimada em mais de 35 mil litros de diesel por ano e uma redução de aproximadamente 111 toneladas anuais de dióxido de carbono.
Capacitação Local e Impacto na Saúde
Além da instalação da infraestrutura, o projeto investiu na capacitação de nove moradores da comunidade. Esses indivíduos foram treinados para monitorar o funcionamento do sistema, identificar possíveis falhas e realizar manutenções básicas, como a limpeza das placas solares, assegurando a eficiência da geração de energia. A usina agora atende 50 casas, seis infraestruturas sociais e seis empreendimentos comunitários.
O tuxaua da comunidade, Waldemir Santana, destacou em entrevista ao g1 as profundas mudanças trazidas pela energia elétrica contínua, especialmente para a unidade de saúde local. Antes, atendimentos noturnos, como suturas ou administração de soro, eram extremamente difíceis devido à falta de iluminação adequada. “Hoje, a unidade de saúde está com energia de qualidade. Consultas on-line? Não tinha como fazer, mas hoje tem. Só tenho a agradecer pelo grande projeto”, afirmou.
Desenvolvimento Comunitário e Conexão Global
A energia solar agora supre cerca de 70% da demanda da comunidade, um avanço considerável em relação à situação anterior. A iniciativa, que começou a ser desenvolvida em 2023 após uma visita de um representante do governo alemão, atende a uma necessidade crucial para o turismo e os empreendimentos locais, como pousadas e restaurantes. Valcléia Solidade, superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS, explicou ao g1 que a energia gerada por geradores era insuficiente para atender a demanda com qualidade.
O professor Raimundo Cruz, da etnia Kambeba, ressaltou que a chegada da usina solar trouxe uma nova “qualidade de vida”. O acesso à energia ampliou as possibilidades de conexão da comunidade com o mundo exterior, fortalecendo o acesso à internet e ao ensino online. “Precisávamos de uma energia, sim, não só para assistir à televisão, mas para ligar a internet, conservar a nossa alimentação, fazer faculdade on-line e mostrar para o mundo como é a nossa vivência”, declarou.
Um Futuro Mais Sustentável e Conectado
A cerimônia de inauguração foi marcada por momentos culturais, com crianças indígenas entoando o Hino Nacional em sua língua nativa e apresentações de danças tradicionais. Representantes da comunidade, da FAS e da Alemanha participaram do evento, celebrando a conquista conjunta. A energia solar não é apenas um avanço tecnológico, mas um símbolo de autonomia e progresso para a Comunidade Indígena Três Unidos.
A conexão com o mundo, o fortalecimento do acesso à informação e a melhoria dos serviços essenciais como a saúde, são apenas alguns dos benefícios tangíveis. “Isso é qualidade de vida, porque diminui também a discriminação sobre os povos indígenas”, concluiu o professor Raimundo Cruz, enfatizando o impacto social e cultural da energia solar.