Banco do Brasil amarga queda de 54% no lucro do 1º trimestre de 2026 devido à crise no agronegócio, com provisões para perdas disparando e projeção de lucro anual revisada para baixo.

O Banco do Brasil (BB) divulgou um balanço financeiro alarmante para o primeiro trimestre de 2026, registrando uma acentuada queda de 54% em seu lucro líquido ajustado. O montante alcançou R$ 3,4 bilhões, um recuo significativo em comparação com o mesmo período do ano anterior, refletindo a pressão crescente da inadimplência no setor de crédito rural.

Em meio a resultados mais fracos, a instituição financeira também se viu obrigada a diminuir sua estimativa de lucro para todo o ano de 2026. A revisão para baixo da projeção sinaliza um cenário desafiador pela frente, com o banco enfrentando dificuldades para conter os impactos da crise no campo.

A situação delicada do agronegócio, marcada por dificuldades como a quebra de safras e o aumento de recuperações judiciais entre produtores, tem impactado diretamente as finanças do BB. Conforme informação divulgada pelo próprio banco, o aumento da inadimplência nas operações rurais elevou o custo do crédito e forçou a instituição a provisionar mais recursos para cobrir potenciais calotes.

Provisões para perdas mais que dobram e inadimplência no agro atinge 6,22%

Um dos indicadores mais preocupantes divulgados pelo Banco do Brasil é o salto de 46% na provisão para perdas, que atingiu R$ 16,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esse valor representa o dinheiro que o banco separa para cobrir empréstimos com alto risco de não pagamento. O aumento expressivo reflete diretamente a piora nos indicadores de inadimplência do agronegócio.

A taxa de inadimplência acima de 90 dias no setor rural chegou a 6,22% da carteira de crédito, um avanço de 3,5 pontos percentuais em apenas um ano. Para se ter uma ideia, a inadimplência geral do banco ficou em 5,05%. O setor agropecuário tem enfrentado turbulências desde a quebra da safra de soja em 2024, após um ano de produção recorde em 2023, o que gerou um aumento nas dificuldades financeiras dos produtores.

Banco do Brasil reduz projeção de lucro anual e rentabilidade em queda

Diante do quadro desafiador, o Banco do Brasil revisou para baixo sua expectativa de lucro para 2026. A projeção anterior, que variava entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, foi ajustada para uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Essa revisão considera o agravamento do risco no agronegócio, incertezas geopolíticas, impactos na economia e a piora em indicadores macroeconômicos gerais.

Outro termômetro importante da saúde financeira de um banco, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), também apresentou deterioração. A taxa caiu de 16,7% para 7,3% em 12 meses, ficando abaixo, inclusive, do resultado registrado no final de 2025, quando o índice era de 12,4%. Essa queda na rentabilidade demonstra o impacto direto da crise no setor rural.

BB reforça cobrança e renegociação de dívidas no campo

Para mitigar os efeitos da crise no agronegócio, o Banco do Brasil tem intensificado suas estratégias de cobrança e renegociação de dívidas. Um exemplo é o programa BB Regulariza Dívidas Agro, que já renegociou R$ 37,9 bilhões, com mais de 73 mil operações repactuadas e atendendo cerca de 25,5 mil produtores rurais. O banco também tem ampliado o uso de garantias e ações judiciais para a recuperação de créditos.

Apesar do cenário adverso no crédito rural, a carteira total de crédito do banco apresentou um crescimento de 2,2% em um ano, totalizando R$ 1,3 trilhão. O segmento de pessoas físicas, impulsionado pelo crédito consignado, foi um dos destaques positivos. Os ativos totais do banco encerraram o trimestre em R$ 2,6 trilhões, com um patrimônio líquido de R$ 194,9 bilhões.