Rodrigo Pacheco descarta candidatura ao governo de Minas, frustrando planos do PT e de Lula
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) comunicou ao presidente do PT, Edinho Silva, sua decisão de não concorrer ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. A negativa, segundo relatos do parlamentar a pessoas próximas, se deve a uma combinação de fatores, incluindo o desejo de se dedicar ao direito e questões pessoais, de saúde e familiares.
A conversa ocorreu na residência de Pacheco, onde o petista tentou, sem sucesso, convencer o senador a entrar na disputa. Pacheco, que já foi preterido por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), agora é cotado para o Tribunal de Contas da União (TCU).
Apesar da insistência de Edinho Silva, que chegou a sugerir que Pacheco conversasse com o presidente Lula antes de uma decisão final, o senador manteve sua posição. O próprio presidente do PT, após o encontro, informou ao partido e ao presidente da República que o senador não deve ser candidato, conforme informações apuradas.
PT busca alternativa em Minas Gerais após negativa de Pacheco
O PT considera Minas Gerais um estado estratégico e buscava em Pacheco um palanque forte para o presidente Lula. Contudo, o senador não se opôs a uma conversa com o presidente, mas reiterou seu desinteresse na disputa. Ele chegou a sugerir outros nomes para a candidatura, como Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar, e Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais.
Pacheco também expressou torcida pela eleição da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), para o Senado, vaga que ele deixaria. Outra opção em análise pelo PT é o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que disputou o governo em 2022.
Lula insiste, mas Pacheco mantém decisão e mira TCU
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que continuará as conversas com Pacheco, mas que respeita a posição dele. Silva pretende conversar também com o PT de Minas Gerais para buscar um consenso. Lula, por sua vez, insiste na candidatura de Pacheco, mesmo com desconfianças sobre seu voto em relação à indicação do ministro Jorge Messias para o STF, onde a preferência do Senado por Pacheco pesou na derrota do governo.
Apesar de externar resistência à candidatura ao governo, Pacheco tem sido cotado para uma vaga no TCU, no lugar de Bruno Dantas, que pode aceitar uma proposta da iniciativa privada. No entanto, segundo relatos de Pacheco a aliados, este não foi um tema abordado na conversa com Edinho Silva.
Revés para Lula em Minas Gerais, estado crucial para eleições
A negativa de Pacheco representa mais um obstáculo para Lula em Minas Gerais, um estado considerado chave nas eleições presidenciais. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram também em Minas. Em 2022, Lula venceu no estado por uma margem apertada, apenas 0,4% à frente de Jair Bolsonaro.
O cenário em Minas Gerais se complica ainda mais para o PT com a aliança firmada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Cleitinho (Republicanos), líder nas pesquisas de intenção de voto. Para viabilizar sua candidatura em Minas, Pacheco chegou a trocar de partido, filiando-se ao PSB e buscando apoio de lideranças locais e de outros partidos, mas a incerteza do senador levou o PT a buscar alternativas.