O Irã saiu em defesa de sua proposta para acabar com a guerra contra os Estados Unidos no Oriente Médio, classificado o plano como “legítimo e generoso”. A declaração, feita nesta segunda-feira (11) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, acontece um dia após o presidente americano, Donald Trump, ter chamado as condições iranianas de “totalmente inaceitáveis”. O novo embate entre as partes recoloca as negociações de paz em um impasse.
Em resposta às críticas de Trump, publicadas no domingo (10) em sua rede Truth Social, Baghaei afirmou que as exigências do Irã são justas e razoáveis. “Nosso pedido é legítimo: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e da pirataria e a liberação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados”, declarou. O porta-voz também defendeu a “passagem segura pelo Estreito de Ormuz” e o “estabelecimento da segurança na região e no Líbano”, classificando as demandas como uma “oferta generosa e responsável para a segurança regional”.
Enquanto o Irã se diz disposto a negociar, Trump rebateu duramente: “Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gosto. TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu o presidente.
Os pontos do impasse
Segundo a imprensa norte-americana, o documento iraniano inclui:
- Garantias de segurança: Fim da guerra em todas as frentes (inclusive entre Israel e Hezbollah) e compromisso de novos ataques.
- Soberania sobre o Estreito de Ormuz: Controle total do canal estratégico para o petróleo.
- Alívio econômico imediato: Suspensão de sanções por 30 dias, fim do bloqueio naval e indenizações dos EUA por danos de guerra.
- Questão nuclear: Diluição ou transferência de urânio enriquecido para um terceiro país, com cláusula de devolução. O Irã aceita suspender o enriquecimento por prazo menor que os 20 anos exigidos pelos EUA, mas rejeita desmantelar usinas.
Já os Estados Unidos mantêm exigências consideradas pelo Irã como “irracionais e unilaterais”, incluindo:
- Suspensão total do programa nuclear por duas décadas e desativação de usinas.
- Supervisão internacional sobre o Estreito de Ormuz.
- Limitação do programa de mísseis iranianos.
- Fim do financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah.
Cessar-fogo em risco
A troca de acusações ocorre mais de um mês após a implementação de um cessar-fogo, em 8 de abril, que interrompeu temporariamente os ataques iniciados em 28 de fevereiro por Israel e EUA contra o Irã. Com o novo impasse, as negociações ficam indefinidas, e a incerteza já fez o preço do petróleo subir novamente nesta segunda-feira.
Enquanto diplomatas tentam destravar o diálogo, a guerra no Oriente Médio segue sem previsão de término — e a proposta iraniana, chamada por Teerã de “generosa”, é vista por Washington como linha vermelha.