Roraima se destaca com nova estação de pré-embarque para gado vivo, ampliando horizontes para o mercado internacional.

A pecuária de Roraima alcançou um marco histórico com a inauguração da primeira Estação de Pré-Embarque (EPE) credenciada para a exportação de gado vivo no estado. Localizada no município do Cantá, esta nova infraestrutura representa um avanço significativo, prometendo impulsionar a economia local e abrir novas oportunidades para produtores rurais.

A iniciativa, que visa atender à crescente demanda internacional por carne bovina brasileira, já deu seus primeiros passos com o envio bem-sucedido de 74 cabeças de gado para Georgetown, capital da Guiana. Este evento marca o início de uma nova era para a pecuária roraimense, que agora pode competir em um cenário global.

A estação, administrada pela Cooperativa dos Agricultores e Pecuaristas de Roraima, funciona como um centro essencial de quarentena e preparação sanitária, cumprindo todas as exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e dos países importadores. O assunto foi destaque no programa Amazônia Agro deste domingo (10), ressaltando a importância desta conquista para o setor agropecuário da região.

Estrutura moderna garante bem-estar animal e conformidade sanitária

A nova Estação de Pré-Embarque no Cantá foi construída seguindo rigorosamente as normas estabelecidas pelo Mapa, além de atender às exigências sanitárias específicas dos países importadores. A unidade conta com quatro currais e tem capacidade estática para abrigar até 900 animais, garantindo espaço e conforto durante o período de preparação.

O zootecnista Diógenes Cardoso explicou que o projeto prioriza o bem-estar dos bovinos, oferecendo cerca de 20 metros quadrados de área por animal, um índice superior ao mínimo exigido. O espaço dispõe de sombreamento adequado, piso de cascalho e áreas designadas para alimentação e hidratação, visando reduzir o estresse térmico e garantir a saúde do rebanho.

Preparação rigorosa assegura qualidade e conformidade para exportação

Durante os, no mínimo, sete dias que antecedem a viagem, os animais passam por um minucioso processo de preparação. Este período inclui exames sanitários detalhados, controle alimentar com silagem de milho, ração balanceada e suplementação mineral, além de monitoramento técnico constante. A hidratação contínua é um ponto crucial para evitar perdas de peso e garantir que os animais cheguem ao destino em perfeitas condições corporais.

O tesoureiro da cooperativa, Bruno Alan Ribeiro, enfatizou a complexidade da documentação sanitária. A exportação só é autorizada após o cumprimento de todas as exigências técnicas e a emissão da documentação conjunta com o Mapa e a Receita Federal, assegurando a rastreabilidade e a sanidade de cada lote exportado.

Novos mercados e expansão futura para a pecuária roraimense

Segundo Simeão Peixoto, presidente da cooperativa, a implantação da EPE é um divisor de águas para os pecuaristas de Roraima. Antes, a limitação ao frigorífico local restringia o mercado, mas agora, produtores de todos os portes podem acessar novas oportunidades de exportação, como já demonstrado com o envio de mais de 800 animais. A expectativa é de que este número cresça ainda mais.

A iniciativa surgiu a partir do interesse de países vizinhos, como a Guiana e a Venezuela, em adquirir gado vivo do Brasil. Com a estação operacional, Roraima está apta a participar ativamente desse mercado. A cooperativa já planeja expandir suas operações, com um projeto inicial para exportar cinco mil animais para a Venezuela, consolidando Roraima como um polo importante na exportação de gado vivo.