Irã intensifica tensões no Estreito de Ormuz e ataca petroleiros, mas sinaliza continuidade nas negociações com os EUA

O Irã elevou o tom em seu conflito com os Estados Unidos e Israel, anunciando neste sábado (18) o **fechamento do Estreito de Ormuz**. A Guarda Revolucionária do país também disparou contra dois petroleiros indianos que navegavam pela rota, declarando que as afirmações do presidente americano, Donald Trump, sobre a passagem marítima **”não têm valor”**.

Essas ações ocorrem apenas dois dias após Trump anunciar um cessar-fogo de dez dias em Israel no Líbano, um ponto crucial nas negociações de paz em andamento. Contudo, em um cenário de escalada de tensões, tanto os Estados Unidos quanto o Irã indicaram que as conversas para um acordo continuam ativas.

Mais cedo no mesmo dia, o Irã havia confirmado estar analisando novas propostas dos EUA. Paralelamente, Donald Trump comentou que **”conversas muito boas estão acontecendo”** quando questionado por jornalistas sobre a guerra com o Irã, conforme divulgado pelo centro de operações de comércio marítimo do Reino Unido.

Reversão e Bloqueio do Estreito de Ormuz

O Irã reverteu sua decisão anterior de reabrir o Estreito de Ormuz, impondo novas restrições à via navegável. Um comunicado oficial iraniano informou que o bloqueio será mantido até que os Estados Unidos levantem suas restrições aos portos iranianos localizados na rota marítima.

Na sexta-feira (17), o Irã já havia alertado que, caso os EUA mantivessem o bloqueio naval imposto às embarcações que tentam entrar e sair do país, a passagem seria fechada. Trump, por sua vez, afirmou na mesma sexta-feira que o bloqueio militar americano, em vigor desde segunda-feira (13), continuaria mesmo após o anúncio de reabertura iraniano.

A rota marinha havia sido reaberta pelo Irã após Trump anunciar o cessar-fogo em Israel no Líbano na quinta-feira (16). A inclusão do Líbano é um dos pontos centrais na discussão de um acordo de paz na guerra entre Irã, Israel e EUA. Em uma postagem na rede social Truth Social, Trump declarou que só retiraria suas tropas da rota após as negociações estarem **”100% concluídas”**, mas assegurou que o estreito **”está completamente aberto e pronto para negócios e tráfego livre”**.

Ataque a Petroleiros Indianos

Neste sábado, após o Irã anunciar novamente o fechamento do Estreito de Ormuz, lanchas iranianas abriram fogo contra dois petroleiros que atravessavam a rota. O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido divulgou a informação, confirmando que o navio-tanque e sua tripulação estão seguros.

O Irã confirmou ter disparado contra os dois navios-tanque indianos com o objetivo de forçá-los a deixar a rota marítima, segundo publicação no perfil oficial da República Islâmica do Irã na rede X. Um dos navios atingidos é um supertanque VLCC de bandeira indiana, transportando 2 milhões de barris de petróleo iraquiano.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia também confirmou o ataque. O embaixador de Teerã em Nova Deli, Mohammad Fathali, foi convocado para uma reunião com o secretário de Relações Exteriores indiano, Vikram Misri. Durante o encontro, Misri expressou a **profunda preocupação da Índia** com o incidente e solicitou ao embaixador que transmitisse as opiniões indianas às autoridades iranianas, pedindo a retomada o mais rápido possível do processo de facilitação da travessia do Estreito por navios com destino à Índia.

Declarações Iranianas e Negociações em Curso

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (18) que embarcações e seus proprietários devem seguir as notícias divulgadas pela própria Marinha. Segundo a Reuters, a organização declarou que as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Estreito de Ormuz **”não têm validade”**.

A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana também advertiu que navios que se aproximarem do Estreito de Ormuz serão considerados cooperando com o “inimigo” e serão alvos de ataque, de acordo com a mídia iraniana. Especificamente sobre a Marinha dos EUA, um comandante local afirmou que a organização sofreria um **”duro golpe”** se atacasse embarcações iranianas.

Apesar da escalada de tensões e das ações militares, o contexto geral aponta para a continuidade das negociações. A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais exigências dos EUA para um acordo de paz, mediado pelo Paquistão. O estreito é vital para o comércio global de petróleo, e sua interrupção nas últimas semanas causou um aumento expressivo nos preços da commodity no mercado mundial.