Vice-líder do Governo Lula Pede Investigação da PF contra Caiado por Transações com Fintech Suspeita de Lavagem de Dinheiro
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula na Câmara, solicitou formalmente à Polícia Federal (PF) a abertura de uma investigação contra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). A solicitação, feita nesta terça-feira (26), baseia-se em transações realizadas pelo governo estadual com uma fintech que está sob escrutínio na Operação Carbono Oculto.
A notícia, originalmente divulgada pela Folha de S. Paulo, aponta para a gravidade das alegações, que envolvem o possível uso de recursos públicos e programas sociais em um ambiente financeiro potencialmente comprometido com lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa. O pedido foi direcionado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Ronaldo Caiado, que deixou o governo de Goiás em março e é pré-candidato à Presidência da República, pode se tornar um adversário de Lula nas próximas eleições. A investigação solicitada por Farias visa esclarecer o papel da gestão de Caiado na contratação e utilização da fintech em questão.
Governo de Goiás Movimentou R$ 1,36 Bilhão com Fintech Suspeita
Conforme apurado, a gestão de Ronaldo Caiado utilizou a BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, para movimentar um montante de R$ 1,36 bilhão. Estes recursos eram destinados a programas de transferência de renda. A BK Bank é uma fintech que, segundo as investigações da Operação Carbono Oculto, é suspeita de operar como um braço financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Um documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revela que a Agência de Fomento de Goiás realizou repasses na ordem de R$ 1,36 bilhão para a BK Bank. Essas transações ocorreram entre outubro de 2021 e agosto de 2025, período que antecedeu a deflagração da Operação Carbono Oculto. A Agência de Fomento é responsável pela operacionalização de diversos benefícios sociais.
Taxas Cobradas de Comerciantes e Nova Divisão de Receitas
Os repasses para a conta na BK Bank diziam respeito ao pagamento de programas de transferência de renda que, segundo o Governo de Goiás, atendem a cerca de 880 mil beneficiários. A partir dessa conta, os valores eram distribuídos aos cartões dos usuários finais. Sobre o valor das operações dos programas sociais, era aplicada uma taxa de utilização de até 6%.
Essa taxa era cobrada dos estabelecimentos comerciais credenciados para aceitar os pagamentos dos beneficiários. Do total arrecadado com a taxa, 50% eram destinados à Agência de Fomento de Goiás e os outros 50% iam para a BK Bank. Essa divisão vigorou até 2024, quando o governo estadual optou por contratar uma nova fintech.
Com a mudança para uma nova instituição financeira, a divisão das taxas cobradas dos comerciantes foi alterada. Atualmente, 75,6% do valor arrecadado com as taxas são destinados à Agência de Fomento, enquanto 24,4% são repassados à nova fintech contratada pelo Governo de Goiás.
Governo de Goiás e Defesa de Caiado Reagem às Acusações
Em resposta às apurações, o Governo de Goiás informou que, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Agência de Fomento de Goiás tomou medidas administrativas e judiciais para proteger o interesse público. Segundo o governo estadual, **até o momento, não há prejuízo constatado para a GoiásFomento**.
Ronaldo Caiado, por sua vez, defendeu sua gestão, afirmando que uma certidão do Banco Central atesta a BK Bank como uma instituição **autorizada em atividade**. Ele argumentou que, na época das transações, não havia como os estados suspeitarem de qualquer vínculo da empresa com organizações criminosas. Caiado também questionou a atuação do Coaf, sugerindo que o órgão pode ter falhado na prevenção de crimes.
A BK Bank foi contatada por e-mail e telefone pela reportagem que originou a notícia, mas **não houve resposta** até a publicação da matéria. A investigação solicitada pelo vice-líder do governo Lula promete aprofundar os detalhes dessas transações e o possível envolvimento da fintech com atividades ilícitas.