Polícia do Amazonas solicita transferência de Melqui Galvão para São Paulo em caso de suspeita de abuso sexual contra alunas
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) solicitou à Justiça a autorização para transferir o professor e lutador de jiu-jitsu Melqui Galvão para São Paulo. O pedido visa centralizar as investigações do caso, que apura suspeitas de crimes sexuais cometidos contra alunas do atleta. A informação foi confirmada pelo delegado Guilherme Torres na noite de sexta-feira (1º).
Melqui Galvão foi preso na última terça-feira (27) em Manaus. As denúncias iniciais vieram à tona após uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, relatar ter sofrido atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva internacional. A vítima, que reside nos Estados Unidos, já prestou depoimento às autoridades, acompanhada de seus familiares.
Atualmente, Melqui Galvão encontra-se detido na Delegacia Geral do Amazonas, à disposição da Justiça, enquanto aguarda a decisão judicial sobre o pedido de transferência. O caso tem gerado grande repercussão, especialmente no meio esportivo e entre os praticantes de jiu-jitsu, que conhecem Galvão como uma figura proeminente na modalidade.
Servidor Público Afastado e Investigado Internamente
Além de sua atuação como professor e atleta, Melqui Galvão também é servidor efetivo da Polícia Civil do Amazonas, lotado no setor de capacitação, onde ministrava treinamentos de defesa pessoal. Diante da gravidade das acusações, ele foi **cautelarmente afastado** de suas funções até a conclusão das investigações.
A PC-AM instaurou um procedimento interno para apurar a conduta do servidor, incluindo a regularidade de seu vínculo funcional e potenciais incompatibilidades com atividades exercidas fora do estado. O caso também foi encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública, que conduzirá um processo administrativo disciplinar.
Em nota oficial, a corporação reiterou que **não compactua com irregularidades ou desvios de conduta**, reafirmando seu compromisso com a legalidade, ética e transparência em todas as suas ações e processos.
Denúncias e Provas Reunidas pela Polícia
A prisão temporária de Melqui Galvão foi decretada após a coleta de depoimentos pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que apura relatos de abusos envolvendo pelo menos três vítimas. As denunciantes apresentaram às autoridades uma gravação na qual o investigado, segundo a polícia, admite indiretamente os fatos e tenta evitar o prosseguimento do caso, oferecendo compensação financeira.
Durante a investigação, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. Em seus depoimentos, elas relataram episódios semelhantes aos das primeiras denunciantes. Em um dos casos, a vítima declarou ter tido **12 anos** na época dos fatos, evidenciando a gravidade das acusações.
Buscas e Apreensões em São Paulo e Repercussão Familiar
Segundo a polícia, Melqui Galvão havia viajado para o Amazonas menos de 24 horas antes de sua prisão. Após contato entre as polícias Civil de São Paulo e Amazonas, ele se apresentou às autoridades em Manaus, onde a prisão foi cumprida. Além da prisão temporária, foram executados três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele em Jundiaí, no interior paulista.
O caso gerou forte comoção na comunidade do jiu-jitsu. Após a prisão do pai, o atleta Mica Galvão, filho de Melqui e multicampeão da modalidade, utilizou as redes sociais para se manifestar. Ele descreveu o momento como difícil, destacou a relação com o pai e defendeu que o caso seja apurado com rigor pelas autoridades. Mica Galvão também repudiou veementemente qualquer forma de violência contra mulheres e crianças, afirmando ser um valor inegociável em sua vida.