MPAM denuncia 16 pessoas por integrar “núcleo político e financeiro” do Comando Vermelho no AM; Anabela Cardoso fica de fora

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) apresentou uma denúncia contra 16 pessoas suspeitas de integrarem um “núcleo político e financeiro” da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no estado. A medida ocorre após a deflagração de uma operação em fevereiro, que investiga crimes graves como organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.

A ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus, Anabela Cardoso, não foi incluída nesta fase da denúncia. No entanto, o MPAM ressalta que as investigações sobre a participação dela e de outras sete pessoas continuam, e novas denúncias podem ser apresentadas caso surjam mais provas.

A operação, que abrangeu o Amazonas e outros seis estados, resultou na prisão de 14 pessoas na época, sendo oito no estado. Foram apreendidos carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos importantes para a investigação. Conforme denúncia obtida pelo g1, a organização criminosa mantinha uma estrutura considerada “profissional” para dificultar a ação das autoridades.

Servidor do TJAM é suspeito de vazar informações sigilosas

Promotores apontam que o esquema contava com a participação de um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), suspeito de repassar informações sigilosas sobre processos judiciais. Essa infiltração em órgãos públicos é um dos focos da investigação, visando desarticular a atuação da facção.

A investigação aponta Allan Kleber Bezerra Lima como o líder da organização criminosa. Ele é acusado de comandar o tráfico interestadual de drogas e de usar “laranjas”, incluindo sua própria mãe, para movimentar recursos e ocultar patrimônio. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras suspeitas de cerca de R$ 210 mil relacionadas ao esquema.

Advogada acusada de recrutar agentes públicos e pagar propinas

Adriana Almeida Lima, descrita como advogada ligada ao grupo, é acusada de atuar na cooptação de agentes públicos e no pagamento de propinas para obter informações sigilosas. Núbia Rafaela Silva de Oliveira é apontada como responsável pelo núcleo jurídico da facção, utilizando seu conhecimento técnico para orientar integrantes da organização.

Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário e motorista do TJAM, é acusado de repassar informações sigilosas e antecipar movimentações da Justiça em troca de propina. Lucila Meireles Costa é descrita como responsável por operacionalizar pagamentos destinados ao servidor investigado. Antônia Fabiane Silva Pinho administrava a empresa A.F.S. Pinho Ltda, usada para movimentar recursos do tráfico, com movimentação incompatível de mais de R$ 420 mil.

Mãe do líder e outras pessoas envolvidas em movimentações financeiras

Patrícia Chagas Bezerra, mãe de Allan Kleber, é suspeita de ocultar patrimônio ilícito, tendo admitido que a empresa Expresso Norte Log Transportes LTDA foi registrada em seu nome sem possuir sede física ou frota. Luana Ferreira Tavares também é citada por participação em movimentações financeiras suspeitas e envolvimento em tráfico de drogas e extorsão mediante sequestro.

Outros denunciados incluem Messias Daniel da Silva Alves, Bruno Alexandre da Silva Candeira, Josafá de Figueiredo Silva, Osimar Vieira Nascimento, Bruno Renato Gatinho Araújo, Ronilson Xisto Jordão, Daniel da Silva Sansereth e Carlos Victor Viera da Silva. O MP recomendou a revogação da prisão preventiva dos investigados, substituída por medidas cautelares como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato com outros investigados e uso de tornozeleira eletrônica.

As investigações da Operação Erga Omnes, deflagrada em 20 de fevereiro, revelaram a apreensão de 523 tabletes de skunk e sete fuzis, além de relatórios de inteligência financeira apontando movimentação atípica superior a R$ 70 milhões. A Justiça apontou risco à ordem pública e à investigação, destacando a atuação interestadual e a capacidade financeira e operacional significativa do grupo.