Manaus entre as capitais com menor acesso à pré-escola, aponta pesquisa
A capital amazonense figura entre as cidades brasileiras com os piores índices de cobertura na educação infantil, especificamente na faixa etária de 4 e 5 anos. Apenas 80,2% das crianças estão matriculadas na pré-escola, um percentual consideravelmente inferior ao mínimo de 90% considerado ideal e obrigatório desde 2013.
O levantamento, realizado pela Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), destaca que essa defasagem coloca Manaus entre os sete piores resultados do país. A situação é ainda mais preocupante na Região Norte, onde a cidade aparece atrás de Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO) em termos de atendimento.
Esses dados, que cruzam informações do Censo Escolar com estimativas populacionais do IBGE, sinalizam um desafio significativo para garantir o direito à educação desde os primeiros anos de vida. Conforme informação divulgada pelo g1, a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed) foi procurada para comentar os dados e informar sobre as medidas para ampliar a oferta de vagas, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Região Norte com déficits expressivos na educação infantil
O estudo da Iede revela que o problema da baixa cobertura de pré-escola é mais acentuado na Região Norte. Cerca de 29% dos municípios da região não atingem os 90% de atendimento, um índice quase três vezes maior que o registrado na Região Sul (11%). No total, são 130 cidades nortistas com acesso considerado insuficiente.
A tabela divulgada aponta que, em relação ao total de municípios de cada região, o Centro-Oeste apresenta 21% de cidades com cobertura insuficiente, seguido pelo Nordeste com 17%, Norte com 29%, Sudeste com 13% e Sul com 11%. No Brasil, 16% dos 876 municípios monitorados não alcançam a meta.
Qualidade da infraestrutura também é um gargalo
Além do desafio do acesso, a pesquisa aponta para **graves problemas na qualidade da oferta** da educação infantil. Apenas 17% das escolas públicas de educação infantil no Brasil possuem toda a infraestrutura básica considerada adequada, segundo o levantamento.
A infraestrutura pedagógica também se mostra limitada. A maioria das unidades carece de bibliotecas ou salas de leitura. Espaços fundamentais para o desenvolvimento infantil, como parques e áreas verdes, são exceção, com apenas 45% das escolas contando com parque infantil e 36% com área verde.
Educação infantil: um direito essencial para o futuro
Os dados reforçam a importância de políticas públicas que visem não apenas a ampliação do acesso à pré-escola, mas também a garantia de condições mínimas de aprendizagem e bem-estar para as crianças. A falta de acesso e a infraestrutura precária podem perpetuar desigualdades desde os primeiros anos de vida.
Investir em pré-escola de qualidade é fundamental para o desenvolvimento integral dos pequenos, preparando-os para os próximos estágios da vida escolar e social. A garantia desse direito é um passo crucial para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.