Setor de Lobby no Brasil Enfrenta Escassez de Talentos como Maior Desafio
A dinâmica do setor de Relações Institucionais e Governamentais, popularmente conhecido como lobby, no Brasil está passando por uma reconfiguração significativa. Novos dados apontam para desafios que vão além das preocupações tradicionais, como a insegurança jurídica, colocando a **falta de mão de obra qualificada** no centro das atenções.
Um levantamento recente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) trouxe à tona as principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais e empresas da área. A pesquisa, realizada em 2025, entrevistou um número expressivo de participantes, oferecendo um panorama detalhado do cenário atual.
Os resultados indicam que a busca por profissionais capacitados se tornou a **pedra no sapato** do setor. Essa demanda por talentos qualificados supera outras questões relevantes, sinalizando a necessidade de estratégias focadas no desenvolvimento e retenção de profissionais.
Mão de Obra Qualificada: O Principal Gargalo do Lobby Brasileiro
De acordo com a pesquisa da Abrig, impressionantes **80% dos entrevistados** apontaram a falta de mão de obra qualificada como o principal desafio para o setor de lobby no Brasil. Este dado evidencia a urgência em formar e atrair talentos com as competências necessárias para atuar de forma eficaz em Relações Institucionais e Governamentais.
Outros problemas relevantes, embora com menor incidência, também foram destacados. As **mudanças constantes nas regulamentações** foram mencionadas por 40% dos participantes, seguidas pela insegurança jurídica e pelo alinhamento entre os setores público e privado, ambos citados por 20% dos entrevistados. Esses fatores também demandam atenção, mas a escassez de profissionais capacitados emerge como a questão mais crítica.
Regulamentação do Lobby: Divisão e Cautela no Setor
No que diz respeito à regulamentação da atividade de lobby no Brasil, a pesquisa da Abrig revela um cenário de divisão entre os profissionais. Exatamente **40% dos entrevistados apoiam total ou parcialmente a regulamentação**, enquanto outros 40% demonstram cautela ou não apoiam a medida. Os 20% restantes afirmaram não ter opinião formada sobre o tema.
Essa polarização sugere um debate complexo em torno da necessidade de normas mais claras para a atuação dos profissionais de Relações Institucionais e Governamentais. A falta de consenso pode refletir diferentes percepções sobre os benefícios e os riscos de uma regulamentação mais estrita.
Perfil dos Profissionais e Empresas do Setor de Lobby
O levantamento da Abrig também traçou um perfil dos profissionais que atuam no setor. Entre os entrevistados, uma parcela significativa possui formação avançada: **42% têm especialização, 29% concluíram mestrado, 24% possuem MBA, 10% têm doutorado e 1% ostenta um pós-doutorado**. Essa alta qualificação acadêmica contrasta com a dificuldade em encontrar mão de obra com experiência prática e habilidades específicas demandadas pelo mercado.
A maioria das empresas de lobby no Brasil foi fundada entre 2010 e 2019. A pesquisa indica que essas empresas são predominantemente localizadas em Brasília e, em sua maioria, contam com uma equipe enxuta, de um a cinco colaboradores. Esse modelo de atuação pode, em parte, justificar a dificuldade em absorver e treinar novos talentos em larga escala.