Atenção, viajantes! Conflito no Oriente Médio pode encarecer drasticamente voos e causar cancelamentos em massa.
O ministro da Indústria e do Turismo da Espanha, Jordi Hereu, lançou um alerta incomum à população: compre suas passagens aéreas o quanto antes. A recomendação surge em meio a temores de que a guerra no Oriente Médio provoque um aumento abrupto nos preços do transporte aéreo e até mesmo cancelamentos de voos por falta de combustível.
Enquanto líderes mundiais evitam discutir publicamente os impactos econômicos diretos do conflito, Hereu decidiu quebrar o silêncio, apontando para o risco concreto de uma escalada de preços impulsionada pelo encarecimento do petróleo e do querosene de aviação. A situação já começa a afetar companhias aéreas.
A advertência, feita em entrevista ao jornal econômico Expansion, coloca em debate um tema delicado para governos e empresas. A Espanha, que bateu recorde de turistas em 2025 com 97 milhões de visitantes, pode ver seu promissor cenário de crescimento para 2026 ameaçado por fatores externos incontroláveis, como o custo do combustível de aviação.
Preço do querosene em alta: o fantasma da inflação nas tarifas aéreas
O ministro espanhol foi explícito ao afirmar que a alta do querosene de aviação ameaça elevar as tarifas aéreas e pressionar negativamente a demanda, especialmente em voos de média e longa distância. “O que recomendamos é que as pessoas comprem seus bilhetes desde já”, declarou Hereu, explicando que as companhias aéreas ainda utilizam estoques de combustível adquiridos anteriormente, mas que um risco real de flutuação dos preços é iminente.
Ele acrescentou que já é evidente que os preços subiram, o que pode afetar a disposição dos consumidores em viajar. Autoridades espanholas e europeias já estão tomando medidas para evitar uma escassez de combustível, indicando que o problema é tratado como estrutural e não apenas hipotético. Segundo a organização Transport & Environment, a alta recente do petróleo já adicionou mais de 85 euros ao custo de voos de longa distância com origem na Europa.
Cancelamentos já são realidade: Transavia anuncia cortes em voos
O cenário, que antes era teórico, agora se materializa. A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France-KLM, confirmou que ajustará sua malha aérea em maio e junho para otimizar custos diante da disparada do preço do querosene. A empresa informou que será obrigada a cancelar parte dos voos previstos para maio e junho de 2026, embora esses cancelamentos representem menos de 2% da programação total no período.
Os clientes afetados estão sendo notificados individualmente e terão direito a remarcação sem custo, crédito ou reembolso integral. Um porta-voz da companhia declarou à AFP que, “em razão do contexto geopolítico atual no Oriente Médio e de suas repercussões sobre o preço do combustível de aviação, a Transavia França está adaptando sua programação de voos e é obrigada a proceder ao cancelamento de vários voos previstos para os meses de maio e junho de 2026”.
Incerteza se estende pela Europa: Ryanair aponta riscos e dependência do Golfo
O diretor-executivo da Ryanair, Michael O’Leary, embora não espere escassez de querosene em maio na Europa, já considera junho uma incógnita. Ele destacou que as próprias petroleiras admitem não conseguir garantir totalmente o fornecimento para esse período. O’Leary associou diretamente os preços elevados à condução do conflito, afirmando que entre 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco.
O Reino Unido é apontado como o país mais exposto a cancelamentos, devido à sua dependência de fornecimento do Kuwait, impactado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. A França, apesar de não enfrentar dificuldades imediatas, admitiu a possibilidade de liberar estoques estratégicos se problemas de volume surgirem. O problema estrutural é claro: a Europa importa cerca de metade do seu querosene dos países do Golfo, e a dependência se tornou um ponto crítico desde o início da guerra.
Comissário Europeu confirma risco de crise e verão de passagens caras
Em Bruxelas, o comissário europeu Dan Jorgensen reconheceu que a União Europeia está se aproximando “muito rapidamente” de uma potencial crise de abastecimento. O risco concreto é de um verão marcado por passagens aéreas mais caras e cancelamentos de voos. O Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% de toda a produção mundial de hidrocarbonetos, está bloqueado, interrompendo fluxos logísticos essenciais para o abastecimento energético global e, consequentemente, para a aviação civil.