Anvisa e Conselhos Médicos Unem Forças Contra Uso Indiscriminado de Canetas Emagrecedoras e Alerta Para Riscos à Saúde

A popularidade das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis com princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, tem levado a um aumento preocupante no uso indiscriminado e no mercado ilegal. Esses medicamentos, que revolucionaram o tratamento da obesidade e diabetes, só podem ser adquiridos mediante prescrição médica, mas a demanda crescente tem fomentado a venda de versões manipuladas e sem autorização.

Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem intensificado medidas para coibir o comércio irregular e garantir a segurança dos pacientes. A agência, em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), firmou uma carta de intenções para promover o uso racional e seguro desses fármacos, prevenindo riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares.

O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Neuton Dornelas, avalia que, embora esses medicamentos representem um avanço significativo no tratamento da obesidade e diabetes, o consumo desenfreado preocupa. A Sbem tem alertado a população sobre os perigos de adquirir medicamentos de fontes não legais e não registrados, ressaltando que o uso indevido pode trazer sérias consequências à saúde. Conforme informação divulgada pela Anvisa e conselhos médicos, a atuação conjunta visa a troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas.

A Revolução no Tratamento da Obesidade e os Perigos do Mercado Paralelo

Neuton Dornelas descreve as canetas emagrecedoras como uma verdadeira revolução no tratamento da obesidade e do diabetes. Ele explica que esses medicamentos, além de auxiliarem no controle da glicose, promovem a saciedade, reduzindo o apetite e a ingestão de alimentos, o que resulta em perda de peso substancial. A semaglutida, por exemplo, pode proporcionar uma perda de peso média de 15%, enquanto a tirzepatida pode alcançar 22% a 25%, dependendo da resposta individual e do acompanhamento profissional.

No entanto, o especialista alerta para os riscos do mercado paralelo. Levantamento recente da Anvisa indicou que a importação de insumos para manipulação dessas canetas tem sido incompatível com o mercado nacional. No segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos, suficientes para cerca de 20 milhões de doses. Nesse período, a agência apreendeu 1,3 milhão de medicamentos por algum grau de ilegalidade ou irregularidade. “Isso é estarrecedor. É assustador”, afirma Dornelas, reforçando o alerta da Sbem contra o consumo de medicamentos de fontes não seguras.

Efeitos Colaterais e o Risco de Complicações Graves

Todo medicamento possui potenciais efeitos colaterais, e com as canetas emagrecedoras não é diferente. Os mais comuns incluem náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais. Contudo, o uso indiscriminado e a aquisição de produtos de fontes não confiáveis, que podem comprometer o armazenamento e transporte adequados, aumentam significativamente esses riscos.

A Anvisa tem registrado efeitos colaterais mais severos, como a pancreatite. Dornelas explica que o retardo do esvaziamento gástrico promovido por esses medicamentos pode facilitar a formação de cálculos biliares, aumentando o risco de pancreatite em algumas pessoas. Este é considerado o maior risco associado ao uso inadequado dessas substâncias. Ele enfatiza que a dor abdominal intensa e persistente é um sinal de alerta crucial para a possibilidade de pancreatite, mesmo que rara.

Os Quatro Pilares da Segurança no Uso de Canetas Emagrecedoras

Para garantir o uso seguro e responsável das canetas emagrecedoras, o presidente da Sbem destaca quatro pilares fundamentais. O primeiro é a utilização de um produtor seguro e legal, com registro no Brasil. O segundo é a prescrição médica, com acompanhamento adequado desde o diagnóstico. O terceiro pilar envolve saber quem está vendendo o medicamento, preferencialmente em farmácias e drogarias confiáveis.

Por fim, o quarto pilar é o uso de doses corretas, seguindo rigorosamente a orientação médica, e a completa abstenção da compra em mercados paralelos. Dornelas ressalta que a ausência de efeitos colaterais não significa que o medicamento não esteja agindo, já que grande parte dos usuários não sente efeitos adversos. No entanto, sintomas como náuseas intensas, vômitos e, especialmente, dor abdominal importante devem ser imediatamente comunicados ao médico.