Novas Armas Podem Mudar o Jogo na Guerra da Ucrânia, Que Entra em Seu Quarto Ano
A invasão da Ucrânia pela Rússia se aproxima de seu quarto aniversário, e o conflito continua sem sinais de um fim. Enquanto negociações de paz mediadas pelos EUA não apresentam avanços significativos, o desenvolvimento de novas e poderosas armas por ambos os lados ganha destaque. Tais inovações militares podem ser determinantes para o futuro da guerra.
A busca por superioridade no campo de batalha tem impulsionado a criação de mísseis, caças e drones cada vez mais sofisticados. Essas tecnologias avançadas podem redefinir as estratégias e o poderio militar de Rússia e Ucrânia nos próximos meses, impactando diretamente o desenrolar do conflito.
A dependência de armamentos ocidentais pela Ucrânia é evidente, mas o país tem investido em sua própria indústria bélica. Ao mesmo tempo, a Rússia aposta em tecnologias de ponta para manter sua ofensiva. Conforme informações da BBC News, a corrida armamentista tecnológica é um fator crucial no conflito.
Ucrânia Avança com Mísseis Domésticos e Recebe Apoio Aéreo Ocidental
A Ucrânia tem ampliado sua capacidade de produção de armamentos, buscando reduzir a dependência de aliados. Um exemplo notável é o míssil de cruzeiro Flamingo, desenvolvido pela empresa ucraniana Fire Point. Este míssil possui um alcance impressionante de até 3 mil quilômetros e uma ogiva de 1.150 kg, permitindo ataques profundos contra alvos estratégicos russos.
O Flamingo se equipara em alcance a mísseis como o Tomahawk americano, mas sua produção local confere à Ucrânia a liberdade de usá-lo sem restrições impostas por parceiros ocidentais. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, elogiou o míssil, descrevendo-o como um dos mais bem-sucedidos do país, embora detalhes sobre seu uso em combate sejam escassos.
Além disso, a Ucrânia tem recebido caças F-16 de países da OTAN, como Bélgica, Dinamarca, Holanda e Noruega. Estimativas indicam que cerca de metade dos 90 F-16 prometidos já chegaram ao país. Estes caças são considerados versáteis e capazes de carregar uma ampla gama de armamentos.
O F-16 representa um salto tecnológico para a Força Aérea Ucraniana, que até então dependia de aeronaves mais antigas, como o MiG-29. Pilotos ucranianos comparam o F-16 a um “smartphone ao lado de um antigo telefone celular de botões”, destacando sua superioridade em termos de tecnologia e desempenho. Sua principal função tem sido fortalecer as defesas aéreas e realizar ataques terrestres precisos, com relatos de sucesso na interceptação de mísseis russos.
Rússia Investe em Mísseis Hipersônicos e Fortalece a Frota Aérea
Em resposta, a Rússia desenvolveu o míssil Oreshnik, com alcance de até 5,5 mil quilômetros. Sua característica mais notável é a velocidade, que segundo o presidente Vladimir Putin, pode atingir 2,5 a 3 km por segundo, tornando sua interceptação extremamente difícil para as defesas ucranianas. O Oreshnik já foi empregado em ataques contra as cidades de Dnipro e Lviv.
Acredita-se que o Oreshnik possua uma ogiva que se fragmenta em múltiplos projéteis com alvos independentes durante a descida, causando explosões sequenciais e devastadoras. Este tipo de arma representa um desafio significativo para a Ucrânia.
A força aérea russa conta com a moderna família de aeronaves Sukhoi, incluindo os modelos Su-30, Su-34 e Su-35, além do promissor jato de quinta geração Su-57, ainda que este último não esteja em produção em massa. Estes Sukhois são equipados com radares avançados e mísseis ar-ar de longo alcance, como o R-37, com capacidade superior aos armamentos de caças ocidentais mais antigos.
A Rússia possui a segunda força aérea mais poderosa do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o World Directory of Modern Military Aircraft. No entanto, as aeronaves russas raramente penetram profundamente em território ucraniano, por receio de serem abatidas por sistemas de defesa ocidentais como o Patriot. Combates aéreos clássicos são raros, com ambos os lados preferindo ataques aéreos de longa distância sem adentrar zonas de defesa inimiga.
Drones: A Nova Fronteira da Guerra e o Papel da Inteligência Artificial
Drones se tornaram uma ferramenta indispensável na guerra, utilizados para vigilância, ataques e como armas kamikaze. A Ucrânia se destaca como líder no desenvolvimento de sistemas não tripulados, produzindo anualmente cerca de quatro milhões de drones, segundo a Bloomberg. Drones ucranianos de visão em primeira pessoa (FPV) já realizaram ataques bem-sucedidos contra bombardeiros estratégicos russos.
O país também utiliza drones de combate na linha de frente e drones navais, que contribuíram para o afundamento de navios de guerra russos. Drones como o FP-1 e FP-2 são de fabricação rápida e barata, com capacidade de atingir alvos distantes, inclusive Moscou. A Ucrânia ainda emprega drones Bayraktar TB2, fornecidos pela Turquia, e drones kamikaze Switchblade, dos EUA.
O Kremlin também busca aumentar sua produção de drones de ataque de baixo custo, visando dezenas de milhares de unidades anuais. A Rússia anunciou a criação das Forças de Sistemas Não Tripulados, um novo comando dedicado a supervisionar seu programa de drones, indicando a prioridade estratégica dessa tecnologia. Embora nomes de novos drones como Artemis-10 e Tukiv tenham sido divulgados, seu uso em combate real ainda não é amplamente relatado.
A Rússia continua a modernizar drones em serviço, como o Molniya-2, usado como kamikaze. O país também produz sua própria versão do drone iraniano Shahed, o Geran 2, que é frequentemente empregado em ataques de longo alcance contra cidades e infraestruturas ucranianas. Estima-se que a Rússia produza cerca de 3 mil drones Geran 2 por mês.
A conectividade de drones é um ponto crítico. A Ucrânia tem se beneficiado do acesso à rede Starlink de Elon Musk, que tem sido crucial para a navegação de seus drones. A Rússia, por outro lado, possui um sistema de satélites mais limitado, o que pode afetar a eficácia de seus drones em condições de batalha.
A inteligência artificial (IA) surge como o novo campo de batalha tecnológico. Novas armas com IA prometem aumentar a eficiência de drones e outras plataformas, embora ainda não haja armas totalmente prontas que empreguem IA de forma eficaz. Tanto a Ucrânia quanto a Rússia estão desenvolvendo drones com ataques autônomos e capacidades de IA, o que pode revolucionar a guerra no futuro próximo.