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Irã e Rússia realizam manobras navais no Oceano Índico em meio a tensões com os EUA e negociações nucleares

Irã e Rússia realizam manobras navais no Oceano Índico em meio a tensões com os EUA e negociações nucleares

Exercícios militares conjuntos Irã-Rússia no Oceano Índico aumentam a tensão global

O Irã anunciou a realização de exercícios militares navais em conjunto com a Rússia no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, com início nesta quinta-feira (19). Novas manobras com a participação da China também estão previstas para ocorrer até o final do mês. A iniciativa ocorre em um momento de escalada de tensões com os Estados Unidos e de negociações cruciais para limitar o programa nuclear iraniano.

Segundo agências de notícias iranianas, como a Fars, o objetivo principal desses exercícios é criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar ameaças à segurança e proteção marítima, além de combater o terrorismo naval. Um comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, destacou a importância dessas manobras para a segurança regional.

Esses exercícios conjuntos Irã-Rússia acontecem poucos dias após a Guarda Revolucionária Islâmica, força militar de elite do regime, ter realizado suas próprias manobras no Estreito de Ormuz, o que levou ao fechamento parcial da importante via marítima. A movimentação militar intensifica o cenário de instabilidade na região.

Negociações nucleares: avanços e impasses entre EUA e Irã

Paralelamente aos exercícios militares, Estados Unidos e Irã buscam um acordo para impor limites ao programa nuclear iraniano. As negociações foram impulsionadas pelo presidente americano, Donald Trump, que tem elevado o tom de suas ameaças contra o país do Oriente Médio, caso as tratativas não avancem. Trump já enviou dois porta-aviões para a região, o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald Ford, aumentando a pressão militar.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, indicou que houve progressos nas conversas e que um acordo nuclear estaria mais próximo. No entanto, os Estados Unidos mantêm uma postura mais cautelosa, afirmando que ainda há um longo caminho a percorrer. As diferenças entre as partes são significativas, com Washington exigindo o fim dos programas nuclear e de mísseis, além da interrupção do apoio a grupos armados regionais.

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O Irã, por sua vez, afirma que negociará apenas seu programa nuclear e tem se mostrado disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. A principal autoridade nuclear iraniana informou que o país possui cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo ao necessário para a fabricação de uma bomba nuclear. O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, manifestou a disposição do país em aceitar inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para comprovar a natureza pacífica de seu programa nuclear, mas ressaltou que não cederá a “exigências excessivas” dos EUA.

Tensões e ameaças mútuas no Golfo Pérsico

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, declarou que Donald Trump não conseguirá derrubar seu regime e ameaçou o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, estacionado no Mar Arábico. A Guarda Revolucionária Islâmica também anunciou novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, elevando ainda mais as tensões com as tropas americanas na área.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, considerou que um acordo com o Irã “será difícil” e classificou os líderes iranianos como radicais. O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos e está aberto a inspeções da AIEA. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, reuniu-se recentemente com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, em uma discussão considerada “aprofundada” sobre as questões nucleares.

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