A Polícia Civil do Amazonas indiciou três guardas municipais pelo homicídio de Bruno Girão Santos, de 22 anos, que foi baleado na madrugada de 26 de fevereiro no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus. O documento com o indiciamento foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) na última terça-feira, 6 de fevereiro.

Os agentes que tiveram o indiciamento solicitado são Guilherme Pinheiro Braide, Hawan Lima Aguiar e Ataíde Fernandes Romeiro Junior. Bruno, segundo familiares, voltava do trabalho quando foi atingido por disparos no beco União, onde iria encontrar um amigo.

A família da vítima busca por justiça e questiona a falta de transparência da Guarda Municipal, que, até o momento, não se pronunciou sobre o afastamento dos agentes investigados ou sobre as medidas administrativas adotadas. O caso já está sob análise da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, conforme informações divulgadas pelo g1.

Investigação aponta para participação dos guardas

De acordo com o relatório da Polícia Civil, os três guardas municipais passaram por exame residuográfico no dia do ocorrido. O laudo técnico revelou a presença de partículas metálicas de chumbo em Hawan Lima Aguiar e Ataíde Fernandes Romeiro Junior, indicando que eles podem ter efetuado disparos. Guilherme Pinheiro Braide apresentou resultado negativo no exame.

A polícia sustentou que as investigações reuniram elementos suficientes para indiciar os três agentes por homicídio, e que não foram encontradas causas que justificassem a ação dos guardas. A defesa da família, representada pela advogada Nicolly Cavalcante Menezes, considerou o indiciamento um “marco importante” na busca por justiça, destacando que a investigação encontrou indícios de autoria e materialidade do crime.

Protestos e versão da Guarda Municipal

Após a morte de Bruno, moradores do bairro Compensa realizaram um protesto na Avenida Brasil, pedindo por justiça. Durante a manifestação, a via foi interditada com a queima de pneus e colchões. Na época do crime, a tia da vítima, Jaqueline Girão, afirmou que moradores presenciaram a ação que resultou na morte de Bruno.

Em nota divulgada anteriormente, a Guarda Municipal de Manaus informou que a equipe estava atendendo a uma denúncia quando ouviu disparos de arma de fogo. Segundo a corporação, Bruno já se encontrava caído no chão quando os agentes chegaram ao local. A Guarda Municipal também afirmou que os agentes prestaram socorro à vítima e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Silêncio da corporação e busca por respostas

A Guarda Municipal negou, na ocasião, que seus guardas tivessem efetuado disparos e informou que as armas dos agentes foram entregues para perícia balística. Após o indiciamento, o g1 buscou um novo posicionamento da Guarda Municipal de Manaus, questionando se os agentes investigados foram afastados de suas funções, quais medidas administrativas foram adotadas e se a instituição mantém a versão de que não houve disparos efetuados pelos guardas. No entanto, até o fechamento desta reportagem, a corporação não retornou os contatos.

A advogada da família criticou a falta de transparência da Guarda Municipal durante as apurações. A família de Bruno Girão Santos e a comunidade local continuam na expectativa por respostas e pela efetiva aplicação da justiça diante deste trágico caso de homicídio na Zona Oeste de Manaus.