Brasileira Relata Engano em Golpe Imigratório e Perda de Economias Após Confiança em Agência
Uma brasileira de Fernandópolis, São Paulo, que alega ter sido vítima de um golpe imigratório, detalhou como questionou a agência após o surgimento de alertas de fraude. Recebeu, na ocasião, garantias de que a situação estava sob controle, com a informação de que o próprio CEO teria tranquilizado a equipe.
Apesar das promessas, a mulher acabou perdendo cerca de 17 mil dólares, o equivalente a mais de R$ 85 mil, em um esquema que envolve a agência Legacy Immigra. A história veio à tona com a investigação que levou à prisão de quatro suspeitos nos Estados Unidos.
A vítima, que preferiu não se identificar, contou que os primeiros sinais de desconfiança surgiram em maio de 2025, após a circulação de um vídeo nas redes sociais denunciando fraudes em processos de asilo e retenção de documentos por agências. Conforme informações divulgadas pelo g1, ela buscou esclarecimentos junto à agência, expressando insegurança sobre a regularização migratória e vistos.
Sinais de Alerta e Busca por Tranquilidade
Em mensagens trocadas com a vendedora da agência, a brasileira expressou seus receios, dizendo: “Para nós que estamos de fora, fica um turbilhão de pensamentos, né? Mas eu pedi muito a Deus e, para te falar a verdade, você me passa essa segurança”. A resposta da representante comercial minimizou as preocupações, alegando que a direção da empresa havia se reunido com os funcionários.
A vendedora afirmou que o CEO da empresa havia tranquilizado a equipe e orientado a continuidade dos atendimentos, transmitindo uma mensagem de segurança. Essa informação, segundo a vítima, contribuiu para que ela mantivesse a confiança no processo e nas garantias oferecidas pela empresa.
A vítima relatou que lhe disseram que “havia muitas empresas, que o grupo era enorme, que não fazia sentido todo aquele escândalo e que, por fazerem um bom trabalho, estavam incomodando a concorrência”. Essas justificativas foram suficientes para que ela continuasse com os pagamentos.
Prejuízo Financeiro e Impacto na Vida Pessoal
O prejuízo financeiro totalizou 17 mil dólares, pagos para uma conta internacional em nome de Ronaldo, um dos presos na operação. A família decidiu deixar o Brasil há cinco anos e iniciou os trâmites para morar nos Estados Unidos, sendo a Legacy Immigra indicada por amigas que também teriam sofrido perdas financeiras. Para quitar o valor com a agência, a mulher chegou a vender a casa onde morava.
Os pagamentos foram feitos de forma parcelada, e toda a dívida foi quitada em janeiro deste ano. No entanto, a família permanece em Fernandópolis sem ter conseguido efetuar o processo imigratório americano. A fraude causou um forte impacto psicológico na vítima, que relatou dores físicas, mal-estar, insônia e dificuldades em lidar com a situação.
Investigação e Escala da Fraude
O caso ganhou notoriedade após denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados da Flórida em setembro do ano passado. Segundo as autoridades, o grupo se apresentava como uma agência completa de serviços de imigração, com supostos advogados cuidando dos pedidos. No entanto, a prática era outra, configurando um modelo de negócio baseado em “manipulação, fraude, mentiras e extorsão”, conforme declaração do xerife responsável pelo caso.
A investigação aponta que o grupo lucrou mais de 20 milhões de dólares em três anos, com prejuízos individuais variando de 2.500 a 26 mil dólares. A operação que resultou nas prisões dos brasileiros Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva, apontados como líderes da agência Legacy Immigra, foi conduzida em parceria com o Departamento de Segurança Interna.