Amazonas registra 6 feminicídios no início de 2026, enquanto o Brasil atinge pico histórico de 399 vítimas
O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por um número alarmante de feminicídios no Brasil, com o Amazonas registrando seis casos. O cenário nacional é ainda mais preocupante, com 399 mulheres assassinadas nesse período, o que equivale a uma morte a cada 5 horas e 25 minutos.
Os dados, divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelam que os crimes no Amazonas ocorreram em quatro municípios: Manaus, com três vítimas, e Carauari, Coari e Manaquiri, cada um com um registro. O levantamento detalha que três feminicídios aconteceram em janeiro, um em fevereiro e dois em março.
Um dos casos mais chocantes ocorreu no Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Roseane Nicolau Canuto, de 39 anos, foi morta a facadas. Seu marido, Hiure Felintro da Silva, de 28 anos, foi preso poucas horas depois e confessou o crime, alegando ciúmes como motivação. Essa triste ocorrência evidencia a persistência da violência doméstica como um dos principais motores do feminicídio.
Comparativo Regional e Nacional Revela Tendência de Alta
Na Região Norte, o Amazonas aparece com um número menor de casos em comparação com o Pará, que lidera a região com 17 feminicídios no período. O Amapá segue com sete registros. É notável que Acre e Roraima não apresentaram nenhum caso nos primeiros três meses de 2026, sendo os únicos estados do país a registrar zero feminicídios nesse intervalo.
O Amapá, contudo, registrou a maior alta proporcional na região, com um aumento de 250%, passando de dois casos em 2025 para sete em 2026. Essa variação expressiva chama a atenção para a necessidade de políticas de prevenção e combate à violência contra a mulher em todo o território nacional.
Brasil Alcança Pico Histórico de Feminicídios
O número total de 399 vítimas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026 representa o maior índice para o período desde o início da série histórica, em 2015. Comparado a 2025, houve um aumento de 7,55%, elevando os casos de 125 para 399 em apenas uma década. Este dado consolida uma tendência preocupante de crescimento da violência extrema contra as mulheres.
Em 2025, o país já havia registrado um recorde anual, com 1.470 mulheres assassinadas, uma média alarmante de quatro mortes por dia. A persistência e o aumento desses índices reforçam a urgência de ações eficazes e integradas para reverter essa trágica realidade.
Nova Lei Aumenta Pena para Feminicídio
Desde outubro de 2024, uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca endurecer o combate ao feminicídio. A legislação aumentou a pena para o crime, que agora varia de 20 a 40 anos de prisão, em comparação com os 12 a 30 anos anteriores. Essa mudança abrange casos de assassinato de mulheres motivados por violência doméstica ou discriminação de gênero.
A pena pode ser ainda maior, com acréscimo de um terço, em situações específicas. Isso inclui quando a vítima está grávida, ou até três meses após o parto, quando é menor de 14 anos ou maior de 60, ou ainda se o crime ocorrer na presença de familiares da vítima. O objetivo é oferecer uma resposta mais severa à crueldade desses atos.