Justiça concede liberdade à ex-chefe de gabinete de David Almeida presa em operação contra núcleo político do CV no Amazonas
A ex-chefe de gabinete do ex-prefeito de Manaus, David Almeida, Anabela Cardoso Freitas, foi liberada da prisão preventiva após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ela foi detida em fevereiro, como parte da Operação Erga Omnes, que investigava o envolvimento de figuras políticas com o Comando Vermelho (CV) no Amazonas.
A decisão, assinada pelo ministro Ribeiro Dantas, substituiu a prisão por medidas cautelares. Entre elas, estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros investigados e a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça. A investigação inicial apontava para crimes como tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.
No entanto, o relatório final da Polícia Civil do Amazonas indiciou Anabela apenas por organização criminosa e lavagem de capitais, afastando as acusações mais graves ligadas ao tráfico. Conforme informação divulgada pelo STJ, o ministro considerou que a prisão preventiva não era mais necessária, uma vez que a investigação foi concluída, diminuindo o risco de interferência no processo.
Entenda os argumentos para a soltura de Anabela Cardoso Freitas
A defesa de Anabela alegou ao STJ a falta de elementos concretos que justificassem a manutenção de sua prisão. Argumentaram que não havia provas de sua participação direta no núcleo investigado por “interface com a administração pública” e destacaram sua responsabilidade em cuidar de um filho com necessidades especiais. O Ministério Público também se manifestou pela substituição da prisão por medidas cautelares, indicando que a investigação ainda não estava madura para uma denúncia formal contra a ex-servidora.
Operação Erga Omnes: o que revelou a investigação contra o núcleo político do CV
A Operação Erga Omnes, deflagrada em 20 de fevereiro, cumpriu mandados de prisão e busca em vários estados, visando desarticular o chamado “núcleo político” do Comando Vermelho. A ação resultou na apreensão de bens, incluindo carros de luxo e dinheiro em espécie, e na prisão de diversos suspeitos. Nove pessoas, incluindo um apontado como líder do grupo, continuam foragidas.
Indícios e valores milionários na investigação
De acordo com a decisão judicial, a prisão de outros investigados, como Adriana Almeida Lima, baseou-se em indícios de participação em crimes e em provas robustas. Entre os elementos citados estão a apreensão de 523 tabletes de skunk e sete fuzis, além de relatórios de inteligência financeira que apontam movimentações atípicas superiores a R$ 70 milhões. A Justiça também destacou o risco à ordem pública e à investigação, devido à atuação interestadual e à capacidade financeira e operacional do grupo, com indícios de tentativa de infiltração em estruturas estatais para obter informações sigilosas.
Medidas cautelares e o futuro da ex-chefe de gabinete
Com a decisão do STJ, Anabela Cardoso Freitas deverá cumprir as medidas cautelares impostas pela Justiça do Amazonas. O ministro Ribeiro Dantas alertou que o descumprimento dessas regras poderá levar ao restabelecimento da prisão preventiva. A liberação marca uma nova fase no processo, onde a ex-chefe de gabinete responderá em liberdade, sob vigilância judicial.