Missão da União Europeia na Amazônia abre portas para cooperação internacional no combate ao crime organizado, focando em investigações financeiras e na recuperação de ativos.
Representantes de 17 nações europeias visitaram o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI), em Manaus, em uma missão anual da embaixada da União Europeia. O encontro resultou em um convite formal para que cinco países europeus participem ativamente das investigações na região amazônica, fortalecendo o acordo de cooperação firmado entre a Polícia Federal brasileira e a Europol.
A iniciativa visa intensificar o combate ao crime organizado, indo além da simples apreensão de bens e focando na desarticulação das redes financeiras que sustentam atividades ilícitas, como o garimpo ilegal. A União Europeia reafirma o compromisso com a segurança e a sustentabilidade da Amazônia, reconhecendo a importância de rastrear a origem e o destino dos lucros gerados por essas atividades criminosas.
A colaboração entre Brasil e Europa se aprofunda com este convite, marcando um passo significativo na cooperação policial e na troca de informações para combater um inimigo transnacional. A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, destacou que a agenda de combate ao crime organizado é uma das **principais prioridades da UE**, evidenciando a relevância estratégica desta parceria para a região amazônica e para o cenário global. As informações foram divulgadas após a visita ao CCPI.
Cooperação Policial Transnacional na Amazônia
Durante a visita ao Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI), em Manaus, o coordenador do centro, Paulo Henrique Oliveira Rocha, formalizou o convite para a participação de Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália e Países Baixos nas atividades de investigação. Esta ação é um desdobramento do acordo de cooperação assinado em março de 2025 entre a Polícia Federal (PF) e a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol).
Foco na Cadeia Financeira do Crime
O coordenador do CCPI enfatizou a necessidade de ir além da interdição de atividades criminosas, como a destruição de equipamentos de mineração. Ele ressaltou que a **investigação da cadeia financeira** que alimenta o garimpo e o destino dos lucros é fundamental. “Muita parte das pontas da cadeia financeira que alimenta o crime acontece fora do Brasil”, explicou Rocha, destacando que os ativos extraídos ilegalmente são comercializados na Europa e em outros continentes.
União Europeia Prioriza Combate ao Crime
A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, reiterou que a **agenda de combate ao crime organizado** está no topo das prioridades da UE. A presença de representantes de 17 países europeus na missão demonstra o interesse e o comprometimento do bloco em apoiar o Brasil no enfrentamento a essas atividades ilícitas que afetam a Amazônia.
Pan-Amazônia e Cooperação Internacional
Dos oito países que compõem a Pan-Amazônia, apenas a Venezuela ainda não integra o CCPI, conforme informado pelo coordenador. A participação ativa de nações europeias nas investigações reforça a visão de que o combate ao crime organizado na região amazônica é uma responsabilidade compartilhada e que exige uma **abordagem colaborativa e global**.