Eleições no Peru adiadas: Falhas logísticas impedem votação de milhares e adiamento gera incerteza

As eleições presidenciais no Peru foram marcadas por uma série de falhas logísticas neste domingo (12), impedindo que mais de 63 mil eleitores, tanto no país quanto no exterior, pudessem concluir seus votos. A situação forçou as autoridades eleitorais a estenderem o período de votação para a segunda-feira (13), adiando a divulgação dos resultados e aumentando a apreensão no país andino.

A decisão de reabrir as urnas afetou diretamente os moradores da capital, Lima, além de peruanos registrados para votar em locais como Orlando, na Flórida, e Paterson, em Nova Jersey. O voto é obrigatório no Peru para cidadãos entre 18 e 70 anos, com multas que podem chegar a US$ 32 para quem não comparecer.

A apuração parcial divulgada no domingo à noite, com apenas 5% das urnas computadas, indicava a liderança de Rafael López Aliaga com 23,4%, seguido por Jorge Nieto com 16,4%. No entanto, com um número recorde de 35 candidatos disputando a presidência e um eleitorado profundamente dividido, um segundo turno é considerado praticamente certo, já que a vitória em primeiro turno exige mais de 50% dos votos válidos.

Contexto de Crise e Desconfiança Marca Eleições Peruanas

O pleito peruano ocorre em um cenário de crescente criminalidade e escândalos de corrupção, fatores que têm alimentado um forte descontentamento popular. Muitos eleitores expressam desconfiança em relação aos candidatos, percebidos como desonestos e despreparados para liderar o país. Essa insatisfação se reflete nas propostas de alguns concorrentes, que incluem medidas drásticas como a construção de megas prisões e a restauração da pena de morte.

Um Mosaico de Candidatos e a Busca pela Presidência

Entre os 35 postulantes ao cargo máximo do país, destacam-se nomes como Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, em sua quarta tentativa de chegar ao poder. Segundo pesquisas, ela aparece com cerca de 15% das intenções de voto. Outro nome notório é o do comediante e roteirista Carlos Álvarez, que se define como um “outsider” e propõe medidas controversas, como a retirada do Peru da Convenção Americana de Direitos Humanos.

Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima e representante de uma direita ultraconservadora, também figura entre os candidatos com maior apoio, com cerca de 7% das intenções. Ele se declara católico fervoroso e afirma não ter relações sexuais desde 1981. Outro nome a ser observado é o do empresário e ex-prefeito de Lima, Ricardo Belmont, de 80 anos, que estaria em empate técnico com Álvarez e Aliaga em algumas pesquisas.

Fragmentação Política e Histórico de Instabilidade no Peru

A grande quantidade de candidatos e a polarização do eleitorado sugerem um futuro Parlamento fragmentado, o que dificultará a governabilidade do próximo presidente, que provavelmente não contará com maioria própria. O Peru tem um histórico recente de instabilidade política, tendo tido nove presidentes nos últimos dez anos, sendo três eleitos e sete interinos. Essa volatilidade é acentuada pelo fato de que todos os presidentes eleitos neste século enfrentaram acusações de corrupção ou tentativas de golpe de Estado.

Mais de 27 milhões de peruanos estão registrados para votar, incluindo cerca de 1,2 milhão no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Argentina. Além da escolha presidencial, os eleitores também estão definindo os membros do Congresso bicameral, em um sistema legislativo reformado recentemente.