Base secreta ucraniana lança drones capazes de atingir alvos a 2.000 km, diz comandante.
Em uma rara incursão em uma base de lançamento de drones na Ucrânia, a BBC obteve detalhes sobre operações que, segundo o comandante Robert Brovdi, são responsáveis por um terço de todas as destruições de alvos em campo. A unidade, conhecida como os “Pássaros de Magyar”, tem intensificado ataques de longo alcance contra a Rússia, visando infraestruturas energéticas e militares.
Esses ataques, que se tornaram mais frequentes e eficazes com o avanço da tecnologia de drones ucranianos, buscam não apenas infligir perdas materiais, mas também afetar a moral das tropas russas e da população. O objetivo é levar a guerra para o território russo, fazendo com que sintam os mesmos impactos do conflito.
Segundo o comandante, a estratégia tem sido bem-sucedida em conter o avanço russo e causar um número recorde de baixas entre seus soldados. A Ucrânia tem focado em drones de fabricação nacional, cada vez mais baratos e com maior alcance, alguns capazes de percorrer mais de 2.000 km.
A guerra nos céus: dentro da base secreta
A reportagem da BBC descreve um cenário de alta tecnologia em um local secreto no leste da Ucrânia. A equipe trabalha sob pressão para preparar os drones de longo alcance antes que possam ser detectados pelas forças russas. O lançamento de cada drone é um evento que exige rapidez e precisão, com o equipamento decolando como um pequeno jato em direção à Rússia.
Dentro do bunker de comando, telas exibem dados em tempo real do campo de batalha, monitorados por operadores. O comandante Brovdi, conhecido pelo codinome Magyar, lidera essa operação. Sua unidade, que representa apenas 2% do exército ucraniano, é creditada por causar um impacto desproporcional nos alvos destruídos.
Alvos estratégicos e o impacto econômico
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, descreveu os ataques de longo alcance como “muito dolorosos” para Moscou, causando perdas financeiras significativas, especialmente no setor energético. A Ucrânia tem mirado instalações de exportação de petróleo russas, como a refinaria de Tuapse, gerando relatos de “chuva tóxica” na região.
A escolha de alvos estratégicos visa não apenas prejudicar a capacidade bélica da Rússia, mas também gerar instabilidade interna. Brovdi acredita que o alto número de baixas e os ataques em território russo podem levar a questionamentos sobre a guerra e a liderança de Putin.
A meta de extermínio e a guerra de informação
Uma das metas mais ambiciosas da unidade de Brovdi é a de superar o número de soldados que a Rússia consegue recrutar mensalmente, com o objetivo de matar mais de 30 mil soldados inimigos por mês. “Pode-se chamar de plano de extermínio, sim, e, neste momento, estamos superando essa meta”, afirmou o comandante.
Cada morte de soldado russo precisa ser comprovada por vídeo para ser contabilizada. Esses vídeos são frequentemente divulgados por Brovdi em plataformas como o Telegram, onde ele se refere aos drones como “pássaros” e às tropas russas como “vermes”. Essa guerra de informação visa minar a moral russa e reforçar a determinação ucraniana.
Do comércio de grãos à guerra de drones
Robert Brovdi, de etnia húngara, era um próspero comerciante de grãos e colecionador de arte antes da invasão em grande escala. Ele se alistou nas forças de defesa territorial e participou de batalhas intensas, como em Bakhmut. Foi durante um cerco em Kherson que ele percebeu o potencial dos drones.
Começou a introduzir drones em sua unidade, inicialmente para reconhecimento, mas logo evoluíram para plataformas de ataque. A capacidade de obter imagens em tempo real das posições inimigas permitiu ataques de artilharia mais precisos. Em poucos meses, os soldados estavam construindo seus próprios drones, dando origem à famosa 414ª Brigada, os “Pássaros de Magyar”.
Brovdi defende que sua estratégia é de contenção, focando em impedir vitórias russas significativas e em desgastar o inimigo, em vez de buscar grandes contraofensivas. Ele entende que a Rússia não pode se dar ao luxo de encerrar a invasão devido aos altos riscos de fracasso, tornando a pressão constante uma tática crucial para a Ucrânia.