Dormir demais faz mal? Entenda os riscos e o tempo ideal de sono, segundo especialistas e Dr. Kalil
A qualidade do sono é fundamental para a saúde, mas o que acontece quando dormimos muito ou muito pouco? A questão foi amplamente debatida no programa CNN Sinais Vitais, com a participação do renomado Dr. Roberto Kalil e especialistas em medicina do sono. Eles esclareceram os perigos associados aos extremos do tempo de descanso, que podem afetar significativamente o bem-estar e a longevidade.
A recomendação geral para adultos é de, no mínimo, sete horas de sono por noite. Dormir seis horas ainda pode ser considerado aceitável para alguns, mas dormir menos do que isso eleva consideravelmente os riscos para a saúde. Contudo, o excesso de sono também se tornou um ponto de atenção para os médicos, que o comparam a comer em demasia, um hábito que ultrapassa o limite saudável.
As informações apresentadas no programa destacam que tanto a falta quanto o excesso de sono estão ligados a um aumento do risco cardiovascular. A ciência ainda investiga completamente os mecanismos por trás dessa associação, mas os dados são claros: cuidar da quantidade e da qualidade do sono é essencial para a prevenção de doenças. Conforme informação divulgada pelo CNN Sinais Vitais, o tema foi debatido por Dr. Roberto Kalil e especialistas em medicina do sono no último sábado (2).
Os Perigos de Dormir Pouco: Doenças Cardiovasculares e Obesidade
O pneumologista Geraldo Lorenzi-Filho, diretor do Laboratório do Sono do InCor, ressaltou que a privação de sono está diretamente ligada ao desenvolvimento de diversas enfermidades. Pessoas que dormem poucas horas por noite têm uma probabilidade maior de sofrer com **doenças cardiovasculares**, **hipertensão** e **obesidade**.
Esses problemas de saúde podem ter um impacto devastador na qualidade de vida e na expectativa de vida. A falta de sono adequado afeta múltiplos sistemas do corpo, incluindo a regulação hormonal e a resposta inflamatória, contribuindo para o surgimento dessas condições crônicas.
O Alerta do Sono Excessivo: Um Sinal Silencioso de Doenças
Engana-se quem pensa que dormir demais é inofensivo. O cardiologista Luciano Drager, da Unidade de Hipertensão do InCor, explicou que o **excesso de sono** pode ser um **marcador silencioso de doenças subjacentes**. Dormir muito, assim como dormir pouco, representa um alerta para a saúde.
Drager comparou dormir demais a “passar do ponto” em qualquer atividade, indicando um desequilíbrio. O organismo possui um número natural de ciclos de sono, geralmente entre três a cinco. Ultrapassar essa quantidade pode levar a um estado de **inércia do sono**, fazendo com que a pessoa se sinta mais lenta, cansada e indisposta ao acordar.
É fundamental investigar as causas desse sono prolongado, pois ele pode estar associado a transtornos como **depressão**, **ansiedade** e até mesmo a **apneia do sono**. A ciência ainda explora os detalhes desses mecanismos, mas a associação entre os extremos de sono e o risco cardiovascular é uma realidade.
Acordar Cansado: Um Sinal de que Algo Não Está Certo
A experiência de dormir profundamente, sonhar bastante, mas ainda assim acordar sentindo-se cansado não é normal, segundo Geraldo Lorenzi-Filho. Ele enfatizou que, se você acorda cansado, “alguma coisa está errada”.
Nesses casos, é crucial investigar a rotina completa do paciente. Condições como a **apneia do sono** podem estar fragmentando o descanso noturno sem que a pessoa perceba, prejudicando a qualidade restauradora do sono. A avaliação médica é essencial para identificar e tratar essas questões.
Compensar o Sono no Fim de Semana: Vale a Pena?
A prática comum de dormir pouco durante a semana e tentar “recuperar” as horas de sono no fim de semana foi analisada pelo cardiologista Luciano Drager. Ele apresentou dados de um estudo realizado com mais de mil pessoas, no âmbito do projeto ELSA Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto).
A pesquisa, que mediu a duração do sono com relógios de pulso e avaliou a tomografia de coronárias dos participantes, indicou resultados interessantes. Pessoas que dormiam pouco durante a semana, mas **estendiam o sono no fim de semana**, apresentaram **menor incidência de placa de gordura nas artérias** ao longo de cinco anos. Drager concluiu que “as pessoas que compensavam, no final de cinco anos, a incidência daquela placa de gordura foi menor na pessoa que estendia o sono”. Isso sugere que, em certa medida, compensar o sono pode ter benefícios cardiovasculares.