Advogados de Juliana Brasil afirmam que falhas estruturais e procedimentos posteriores precisam de apuração
A defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, sustenta que a aplicação de uma única dose de adrenalina não teria sido suficiente para causar o óbito da criança. Após acareação na manhã desta quinta-feira (4), a médica se manteve calada e seus advogados Alessandra Vieira e Felipe Braga afirmam que o caso envolve uma série de falhas estruturais e procedimentos posteriores que precisam ser apurados com rigor.
Segundo os defensores, o prontuário médico mostra que Benício não sofreu paradas cardíacas imediatamente após a administração da medicação. O menino teria permanecido lúcido, consciente e responsivo, chegando a se alimentar antes de ser encaminhado à UTI.
“Ele não morreu no momento da aplicação. As seis paradas cardíacas ocorreram horas depois, já na UTI, após tentativas de intubação”, destacou a defesa.
Os representantes da médica reforçam que a dose aplicada foi de 3 ml, e não 9 ml, como chegou a ser mencionado. A administração teria ocorrido por nebulização, em intervalos de 30 minutos.
“A adrenalina é eliminada pelo organismo e não há compatibilidade entre a aplicação inicial e o resultado morte mais de 12 horas depois”, argumentaram.
A defesa também destacou que novas doses de adrenalina foram utilizadas posteriormente na UTI, durante procedimentos de reanimação, o que deve ser considerado pela perícia.
Foi citado também que houve demora no processo de intubação, realizado somente após a meia-noite, quando já havia sido constatada pneumonia bilateral. Três médicos tentaram o procedimento, que só foi concluído por volta de 0h20.
“Durante esse intervalo, o paciente estava lúcido, conversava e se alimentava. É preciso investigar se a demora na intubação contribuiu para o desfecho fatal”, afirmaram.
A defesa também rebateu a versão de que Juliana Brasil teria demorado a atender o paciente. Segundo os advogados, o tempo de resposta foi de cerca de dois minutos, o que não configuraria atraso relevante.
Outro ponto levantado foi o sistema informatizado do hospital, que, segundo os advogados, apresenta falhas já apontadas por médicos e até pela Anvisa. Eles afirmam que prescrições apareceram em nome da médica Juliana Brasil em momentos em que ela não atuava na UTI, o que reforçaria a necessidade de investigação sobre possíveis erros operacionais.
Os advogados Alessandra Vieira e Felipe Brasil afirmaram que a defesa se solidariza com os pais de Benício, mas que não mantém contato direto com a família neste momento, em respeito ao luto.