Justiça de Manaus aplica penas pesadas em caso chocante de feminicídio e aborto provocado por terceiro
Um júri em Manaus condenou dois homens por crimes hediondos que resultaram na morte de Débora da Silva Alves, grávida de oito meses. O julgamento, que se estendeu por cinco dias, foi marcado por detalhes chocantes sobre o desaparecimento e a descoberta do corpo da jovem. As condenações atendem à denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Débora desapareceu em 29 de julho de 2023, após sair de casa para encontrar Gil Romero Machado Batista, apontado como o pai do bebê que ela esperava. Ele teria prometido dinheiro para a compra do enxoval da criança. A jovem foi encontrada morta dias depois, em 3 de agosto, em uma área de mata na Zona Leste de Manaus, chocando a população local.
As investigações apontam que a vítima foi asfixiada e teve o corpo queimado. O crime teria ocorrido dentro da área da Usina Termoelétrica Mauá 2. Segundo o MPAM, Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora e não desejava assumir a paternidade, buscando esconder a relação e evitar as consequências da gravidez. As condenações foram baseadas em laudos periciais, certidões de óbito, relatórios de investigação, depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança, dados de rastreamento e confissões dos acusados, conforme informado pelo MPAM.
Gil Romero Machado Batista: Pena de 63 anos por feminicídio e aborto
Gil Romero Machado Batista recebeu a pena mais severa, totalizando 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. Ele foi condenado por homicídio qualificado, feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver. O Ministério Público afirma que, após o crime, um dos condenados retornou ao local, retirou o feto do ventre da vítima e descartou o bebê em um rio, além de atear fogo no corpo de Débora na tentativa de apagar vestígios.
José Nilson Azevedo da Silva: 17 anos por homicídio qualificado
José Nilson Azevedo da Silva foi condenado a 17 anos e 8 meses de prisão por homicídio qualificado por motivo torpe. Os jurados, no entanto, afastaram duas qualificadoras e a acusação de feminicídio contra ele. Os dois acusados estavam presos preventivamente desde a época do crime e responderam ao processo por duplo homicídio qualificado, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
Desdobramentos e prisão dos acusados
Débora da Silva Alves estava grávida de oito meses quando desapareceu. O corpo da jovem foi encontrado em uma área de mata no bairro Mauazinho. Segundo a Polícia Civil do Amazonas, a vítima foi asfixiada e teve o corpo queimado.
José Nilson foi preso dias após o crime. Gil Romero fugiu para o município de Curuá, no Pará, mas foi localizado e preso em 8 de agosto de 2023, após uma operação conjunta das polícias civis do Amazonas e do Pará. A condenação em Manaus encerra um capítulo doloroso deste caso que chocou o estado.