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Política

Governo Lula convoca reunião de emergência para tratar de decisão dos EUA sobre PCC e CV

Governo Lula convoca reunião de emergência para tratar de decisão dos EUA sobre PCC e CV

A Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) organizou para esta sexta-feira (29.mai.2026) uma reunião de emergência com o objetivo de alinhar a resposta brasileira à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Coordenado pela ministra Miriam Belchior, o encontro ocorre em caráter extraordinário e reúne representantes de ao menos cinco pastas: Ministério da Justiça e Segurança Pública, Advocacia-Geral da União (AGU), Fazenda, Relações Exteriores e a assessoria especial da Presidência. O presidente Lula não participa da reunião — ele cumpre agenda em Sergipe —, mas o Palácio do Planalto deve divulgar uma nota oficial ainda hoje.

Entre os participantes confirmados estão o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O ministro da Justiça, Wellington César Lima, estará ausente por estar no Paraguai para uma reunião do Mercosul; será representado pelo secretário-executivo da pasta. O assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, retorna de Moscou, onde participou de um fórum de segurança, e também é aguardado na reunião.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ficou fora da convocação. Segundo sua assessoria, nenhum secretário foi comunicado sobre participação no encontro.

O que está em jogo

A decisão dos EUA foi anunciada na quinta-feira (28.mai) pelo Departamento de Estado. As duas facções serão designadas como “terroristas globais especialmente designados” e “organizações terroristas estrangeiras”, com a classificação entrando em vigor em 5 de junho.

A principal preocupação do governo brasileiro é o alcance extraterritorial da legislação norte-americana: a partir dessa classificação, os EUA podem aplicar sanções a bancos e empresas de qualquer país que mantenham negócios com as facções, independentemente de acordos bilaterais ou leis locais.

O Planalto argumenta que PCC e CV não se enquadram na definição de terrorismo prevista na Lei Antiterrorismo brasileira de 2016. Para o governo, as facções têm motivação econômica e de controle territorial, não ideológica — critério central na definição nacional de terrorismo, que exige razões de xenofobia, discriminação ou preconceito religioso com o objetivo de provocar terror social.

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Crise e cautela nas negociações comerciais

Nos corredores do Planalto, o clima é de urgência. Além da pressão diplomática, o governo enfrenta um prazo curto nas negociações comerciais com os EUA. Após o encontro entre Lula e Donald Trump em maio, os dois países criaram um grupo de trabalho para revisar tarifas comerciais, com prazo até o início de junho.

A primeira reunião ocorreu em 20 de maio por videoconferência. A segunda, prevista para esta semana, ainda não aconteceu até o fechamento desta reportagem, conforme apurou o Poder360. O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, confirmou o impasse, mas não informou novas datas.

O cenário coloca o Planalto diante de um dilema: responder com firmeza à classificação das facções, sem comprometer as sensíveis negociações comerciais que entram na reta final.

Imagem gerada com IA

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