A história e a fé que movem a Capela de Santo Antônio do Pobre Diabo em Manaus, um patrimônio aberto apenas em junho
Entre o burburinho das ruas e a modernidade da Zona Sul de Manaus, um pequeno templo histórico guarda uma tradição que atravessa gerações há mais de um século. A Capela de Santo Antônio do Pobre Diabo, localizada no bairro Cachoeirinha, é um exemplo de resistência cultural e religiosa, abrindo suas portas ao público somente durante os festejos de Santo Antônio, que acontecem entre os dias 1º e 13 de junho.
Este ano, o ponto alto das celebrações ocorreu no último sábado, 13 de junho, Dia de Santo Antônio, reunindo fiéis na tradicional bênção e distribuição de pães, seguida por uma procissão que percorreu as ruas do bairro. A capela, construída no fim do século XIX, é um dos patrimônios religiosos mais antigos da capital amazonense, preservando sua estrutura e uma devoção mantida por famílias e pela comunidade local.
A organização dos festejos fica a cargo de Fernando Ricardo Coelho, administrador da capela, cuja família tem uma ligação profunda com o local há décadas. Ele explica que a igreja nasceu de uma promessa e que a responsabilidade pela sua manutenção e pela festa passou de sua avó para sua mãe, tio e, agora, para ele. Conforme informação divulgada pela fonte, a participação da comunidade é um dos aspectos mais emocionantes, com devotos como o consultor Kleber Soares de Aguiar, de 45 anos, acompanhando os festejos desde a infância, reforçando que a fé é o que mantém a tradição viva.
A Origem do Apelido “Pobre Diabo”
Além de sua importância histórica e religiosa, a capela é conhecida por um apelido peculiar: “Capela do Pobre Diabo”. A origem deste nome remonta ao comerciante português Antônio José da Costa, um dos idealizadores da construção do templo. Segundo registros históricos publicados no Diário Oficial do Estado em 1927, ele possuía uma imagem de Santo Antônio em seu estabelecimento comercial e costumava proferir uma frase que se tornou célebre, dando nome ao seu comércio, “O Pobre Diabo”, que com o tempo, passou a ser associado também à capela.
Uma Promessa que se Tornou Patrimônio
A história do templo começou quando Antônio José da Costa e sua esposa, Dona Cordolina Rosa de Viterbo, decidiram erguer uma capela em homenagem a Santo Antônio em um terreno adquirido na antiga Cachoeirinha. Em 1897, Dona Cordolina oficializou a doação do espaço à Diocese de Manaus, com a condição de que ela mesma zelasse pelo local enquanto estivesse viva.
A bênção oficial da capela ocorreu em 13 de junho de 1901, conduzida pelo então bispo Dom José Lourenço da Costa Aguiar. Ao longo dos anos, o local passou por diversas restaurações e, em 1965, foi oficialmente tombado como monumento histórico do Amazonas, reconhecendo seu valor inestimável para a memória da cidade.
Tradição que Continua Viva
Atualmente, a Capela de Santo Antônio do Pobre Diabo está sob os cuidados da Paróquia de Santa Rita de Cássia. O templo continua atraindo um grande número de devotos, moradores locais e visitantes curiosos, que buscam conhecer um dos mais antigos símbolos da fé católica em Manaus. A tradição centenária se renova a cada ano, com celebrações que mantêm viva a devoção a Santo Antônio e fortalecem os laços comunitários.
Na véspera do Dia de Santo Antônio, a tradicional quermesse reuniu moradores da Cachoeirinha e de outros bairros de Manaus, mostrando a força da devoção e da cultura local. A procissão desta sexta-feira, 13 de junho, reforça a importância da capela como um ponto de encontro espiritual e cultural, mantendo uma celebração que atravessa gerações há mais de um século.