Amazonas figura entre os estados com pior qualidade de vida no Brasil, segundo estudo
O estado do Amazonas se encontra na oitava posição entre as unidades federativas com a pior qualidade de vida no Brasil, de acordo com a edição de 2026 do Índice do Progresso Social (IPS Brasil). A pesquisa, que analisou os 5.570 municípios brasileiros, aponta que o Amazonas ficou abaixo da média nacional em diversos indicadores sociais e ambientais.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (20), avaliou os municípios com base em 57 indicadores divididos em três dimensões principais: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. A média nacional de qualidade de vida registrada foi de 63,40 pontos, enquanto o Amazonas obteve uma pontuação de 59,34.
Esses resultados preocupantes refletem as grandes desigualdades sociais enfrentadas por muitos municípios amazonenses. A pesquisa do IPS Brasil 2026 evidencia a disparidade na qualidade de vida entre diferentes regiões e cidades do país, com o Amazonas emergindo como um dos estados com maiores desafios a serem superados.
Amazonas abaixo da média nacional e com desafios em diferentes dimensões
O ranking nacional mostra o Amazonas na oitava posição entre os estados com menor qualidade de vida. Os estados que apresentaram os piores índices foram Pará (55,80), Maranhão (57,59) e Acre (58,03). Outros estados da região Norte, como Amapá e Rondônia, também figuram entre os dez com piores pontuações, assim como Bahia, Alagoas, Roraima e Piauí.
A pontuação geral do Amazonas, de 59,34, está significativamente abaixo da média nacional de 63,40, indicando uma necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida em todo o estado. A pesquisa abrangeu todos os 5.570 municípios brasileiros, oferecendo um panorama detalhado das condições de vida em todo o território nacional.
Saúde e Bem-estar: um ponto positivo em meio a desafios
Apesar do cenário geral desafiador, o componente de Saúde e Bem-estar surge como um ponto de destaque positivo para o Amazonas. Municípios como Canutama, Ipixuna, São Sebastião do Uatumã e Tonantins apresentaram resultados expressivos, figurando entre os melhores do país nesse quesito, com notas acima de 68,12.
Este desempenho isolado, contudo, não é suficiente para elevar a média geral do estado, que ainda sofre com as demais dimensões avaliadas pelo IPS Brasil 2026. A pesquisa reforça a importância de analisar o progresso social em suas múltiplas facetas, reconhecendo tanto os avanços quanto as áreas que demandam atenção prioritária.
Manaus: Capital com melhor desempenho, mas com contrastes internos
Manaus, a capital do Amazonas, registrou o melhor desempenho dentro do próprio estado, alcançando 63,91 pontos e posicionando-se na 1.270ª colocação nacional entre os municípios. Entre as capitais, Manaus ficou na 20ª posição. A cidade obteve sua melhor nota na dimensão Fundamentos do Bem-estar (69,89 pontos), ocupando a 724ª posição nacional.
A capital também se destacou na dimensão Oportunidades, com 52,69 pontos, que abrange indicadores de inclusão social, direitos individuais e acesso ao ensino superior. No entanto, Manaus ainda enfrenta dificuldades significativas na dimensão Necessidades Humanas Básicas, especialmente em áreas ligadas ao acesso a serviços essenciais e infraestrutura urbana, evidenciando a persistência de desigualdades mesmo dentro da maior cidade do estado.
Municípios do interior sofrem com isolamento e baixas oportunidades
Na outra ponta do ranking estadual, municípios do interior do Amazonas se encontram entre os piores resultados do país no IPS Brasil 2026. Pauini (48,40 pontos) e Envira (48,72 pontos), localizados no Sul do estado, e Barcelos (49,06 pontos), no Norte, apresentaram os desempenhos mais baixos.
Esses municípios tiveram seus piores resultados na dimensão Oportunidades, refletindo os desafios relacionados à inclusão social, acesso à educação e garantia de direitos. O estudo aponta que o padrão de baixos índices de qualidade de vida em municípios mais isolados territorialmente é uma característica recorrente em outras unidades federativas da Amazônia, dificultando o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria das condições de vida de seus habitantes.