Roberto Cidade assume o comando do Governo do Amazonas em momento de transição política
O cenário político do Amazonas vivencia uma reviravolta com a assunção de Roberto Cidade, presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), ao posto de governador do estado. A mudança ocorre em decorrência das renúncias simultâneas de Wilson Lima, então governador, e Tadeu de Souza, vice-governador.
A posse de Roberto Cidade é automática, seguindo a linha sucessória constitucional do estado. Com a saída dos chefes do Executivo, o presidente da Aleam assume a liderança em um período estratégico, antecedendo as eleições gerais de 2026. Sua trajetória política, marcada por ascensão rápida e consolidação no Legislativo, o posiciona para este novo desafio.
As renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza foram oficializadas em edição extra do Diário Oficial Eletrônico da Aleam. Ambos citaram a necessidade de desincompatibilização para cumprir prazos eleitorais, embora não tenham, até o momento, anunciado oficialmente suas futuras candidaturas. A informação foi divulgada neste sábado, 4 de abril de 2026.
Trajetória de Roberto Cidade: do Legislativo Municipal ao Governo do Estado
Nascido em Manaus em 2 de outubro de 1986, Roberto Cidade deu seus primeiros passos na vida pública em 2016, ao concorrer a uma vaga de vereador. Obtendo 6.285 votos, ficou como primeiro suplente, mas logo em 2018, assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de Manaus. Lá, participou de votações importantes, incluindo a Lei Orçamentária do município.
Ainda em 2018, consolidou sua entrada na política estadual ao ser eleito deputado estadual com 33.239 votos, tornando-se o segundo mais votado no Amazonas. Iniciou seu mandato na Aleam em 2019 como 3º vice-presidente da Mesa Diretora e presidiu a importante Comissão de Transportes, Trânsito e Mobilidade no biênio 2019-2020.
Presidência da Aleam e feitos inéditos
Em dezembro de 2020, aos 34 anos, Roberto Cidade alcançou um feito histórico ao ser eleito presidente da Aleam ainda em seu primeiro mandato. Ele se tornou o mais jovem a ocupar o cargo e o primeiro deputado novato a comandar o Legislativo estadual, um marco em sua carreira política.
Durante a pandemia de Covid-19, Cidade esteve à frente de decisões cruciais para o estado. Foi responsável por liderar votações estratégicas, como a criação de um auxílio estadual permanente, a aprovação da Lei do Gás e a destinação de recursos do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviço e Interiorização do Desenvolvimento (FTI) para ações de saúde nos municípios amazonenses.
Ascensão e consolidação no União Brasil
Sua trajetória política também é marcada por sua filiação a partidos relevantes. Em 2021, assumiu a presidência estadual do Partido Verde (PV). No ano seguinte, migrou para o União Brasil, onde rapidamente se estabeleceu como líder da sigla na Aleam. Essa articulação partidária foi fundamental para sua projeção.
Nas eleições de 2022, Roberto Cidade foi reeleito deputado estadual com uma expressiva votação de 105.510 votos, a maior já registrada no Amazonas para o cargo de deputado estadual. Sua popularidade e representatividade cresceram exponencialmente.
Reeleição histórica e pré-candidatura à prefeitura
Em 2023, foi reconduzido à presidência da Assembleia Legislativa por unanimidade, demonstrando amplo apoio dentro da casa. Sua liderança foi novamente ratificada com a reeleição para o biênio 2025-2026, consolidando três mandatos consecutivos à frente do Parlamento estadual, um feito inédito e que reforça sua força política.
Em 2024, Roberto Cidade assumiu o diretório municipal do União Brasil em Manaus e teve sua pré-candidatura à Prefeitura da capital oficializada. No pleito municipal, alcançou a expressiva marca de 187.566 votos, mostrando sua forte penetração eleitoral na capital amazonense e consolidando sua posição como uma liderança influente no estado.
Renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza
As cartas de renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza foram publicadas no Diário Oficial Eletrônico da Aleam. Ambos comunicaram oficialmente suas saídas dos cargos de governador e vice-governador, com efeito imediato a partir de 4 de abril de 2026. Nas declarações, citam dispositivos da Constituição Federal e da legislação eleitoral, indicando que a medida atende ao prazo de desincompatibilização de seis meses antes das eleições gerais de 2026.
Wilson Lima afirmou que sua decisão é irrevogável e irretratável, agradecendo à população do Amazonas e destacando a parceria institucional com a Assembleia Legislativa durante seu mandato. O ex-governador, no entanto, não anunciou oficialmente qual cargo pretende disputar nas próximas eleições. O vice-governador, Tadeu de Souza, apresentou uma carta com fundamentos legais semelhantes, também agradecendo ao povo amazonense e ao Legislativo estadual.