Turistas envenenados no Everest para golpes milionários, diz polícia do Nepal
Uma investigação chocante conduzida pelo Departamento Central de Investigação (CIB) da Polícia do Nepal desvendou um esquema de fraude de larga escala no lucrativo setor de turismo do Himalaia. O plano, que teria movimentado cerca de R$ 100 milhões entre 2022 e 2025, envolvia o envenenamento deliberado de turistas para forçar resgates médicos desnecessários e inflar lucros de seguros.
O relatório final, com mais de 1.200 páginas, concluído em março de 2026, indiciou 33 pessoas, incluindo donos de agências de trekking, operadores de helicópteros e executivos de hospitais. A descoberta levanta sérias preocupações sobre a segurança de aventureiros que buscam o Monte Everest e outras montanhas da região.
As autoridades detalharam que a fraude envolvia a contaminação intencional da comida dos alpinistas com substâncias como bicarbonato de sódio, carne crua e até fezes de rato. O objetivo era simular sintomas gastrointestinais que pudessem ser confundidos com o mal de altitude, uma condição comum e perigosa em grandes altitudes, conforme revelado pela polícia nepalesa.
Guias e Operadores Criavam Falsas Emergências Médicas
Segundo a investigação, guias e outros envolvidos pressionavam psicologicamente turistas com sintomas leves, alertando sobre riscos iminentes de morte para convencê-los a aceitar resgates de helicóptero. Em alguns casos, medicamentos para prevenir o mal de altitude eram administrados de forma incorreta, com excesso de água, causando efeitos colaterais que reforçavam a necessidade de evacuação.
Os voos de resgate eram um ponto central do esquema. Relatórios indicam que os custos eram superfaturados, com um único voo de helicóptero, que custava cerca de US$ 4 mil, sendo cobrado separadamente de cada seguradora, podendo gerar faturamento de até US$ 12 mil por voo.
Hospitais Envolvidos na Fraude e Criação de Registros Falsos
Hospitais também são suspeitos de participação ativa no esquema. Investigações apontam que unidades de saúde criavam registros médicos falsos para justificar internações desnecessárias. Câmeras de segurança flagraram turistas registrados como “gravemente doentes” circulando normalmente em cafés, evidenciando a falsidade dos atestados.
Além disso, os hospitais supostamente pagavam comissões significativas, entre 20% e 25%, para agências e operadores por cada paciente encaminhado, criando um ciclo vicioso de fraudes e desinformação.
Impacto na Imagem do Nepal e Ameaça ao Turismo
O caso tem um impacto significativo na imagem internacional do Nepal, um país cuja economia depende fortemente do turismo. Seguradoras internacionais já ameaçam suspender a cobertura para viagens à região, o que pode prejudicar severamente o setor, que sustenta mais de um milhão de empregos no país.
Das 33 pessoas indiciadas, 23 permanecem foragidas. O governo nepalês afirma estar empenhado em recuperar os valores desviados e em punir os responsáveis, buscando restaurar a confiança no turismo e garantir a segurança de todos os visitantes.