Presidente Lula defende criação de reserva estratégica de combustíveis no Brasil para garantir estabilidade e soberania nacional frente a crises internacionais.

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância de o Brasil desenvolver uma reserva estratégica de combustíveis. A medida visa não apenas a regular preços, mas também a assegurar o abastecimento nacional em momentos de instabilidade internacional, protegendo o país de choques externos.

A declaração foi feita durante um evento da Petrobras em Minas Gerais, onde o presidente instruiu a presidente da estatal, Magda Chambriard, a considerar a criação desse estoque. Lula enfatizou que, embora seja um processo que demande tempo, é uma estratégia fundamental para a Petrobras e para o governo.

A iniciativa surge em resposta à escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, um corredor vital para o transporte de petróleo mundial. Conforme informação divulgada pelo governo federal, o presidente alertou para os riscos de interrupções no fornecimento e o consequente aumento da volatilidade dos preços globais.

Ameaças globais e a necessidade de um estoque regulador

Lula destacou o impacto direto que conflitos internacionais, como o do Oriente Médio, podem ter na economia brasileira. Ele ressaltou que, se a guerra se prolongar ou se o Irã bloquear a saída de petróleo do Estreito de Ormuz, a crise energética global se agravará, afetando diretamente o Brasil. A criação de um estoque regulador é vista como uma forma de mitigar esses efeitos e evitar que o país se torne refém de crises externas.

Brasil e a dependência de importações

Atualmente, o Brasil não dispõe de reservas estratégicas de petróleo, contando apenas com estoques operacionais que garantem o fluxo contínuo de combustíveis entre a produção, o refino e os postos. No entanto, o país ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel consumido, o que o torna particularmente vulnerável em períodos de escassez ou alta de preços no mercado internacional.

Reservas como sinônimo de soberania

O presidente comparou a proposta de reserva de combustíveis à reserva em moeda estrangeira, que o Brasil começou a construir em 2005. Lula citou que as reservas cambiais brasileiras, que alcançaram US$ 364,4 bilhões em janeiro deste ano, têm sido cruciais para enfrentar crises mundiais sem abalar a economia do país. Ele defende que, mesmo com um alto custo, a reserva estratégica de combustíveis garantiria a soberania nacional e protegeria o país contra a especulação.

Investimentos em refino e produção de combustíveis

Além da criação de reservas, Lula anunciou que o governo realizará os investimentos necessários para melhorar ou até construir novas refinarias no país. O objetivo é fortalecer a capacidade de produção e refino nacional, trabalhando em um plano estratégico de produção e estoque de combustíveis. A Petrobras, por exemplo, anunciou R$ 9 bilhões em investimentos na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, com o objetivo de aumentar sua capacidade de processamento de petróleo. A refinaria, que operava com 60% de sua capacidade no governo anterior, agora funciona com 98%.