Ministério Público do Amazonas abre procedimento para investigar vereador Kennedy Marques por suspeita de nepotismo

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um procedimento preparatório para investigar uma possível prática de nepotismo no gabinete do vereador Kennedy Marques (MDB), da Câmara Municipal de Manaus (CMM). A apuração envolve a nomeação de duas ex-companheiras do parlamentar para cargos comissionados, levantando questionamentos sobre a legalidade e a moralidade das contratações.

A investigação foi aberta na quarta-feira (10) e publicada oficialmente no Diário Oficial do MPAM na sexta-feira (12). O caso está sob responsabilidade do promotor Hilton Serra Viana, da 78ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção do Patrimônio Público, que busca verificar se houve irregularidades nas nomeações e se as servidoras, de fato, exercem funções compatíveis com a legislação vigente.

Segundo informações divulgadas pelo MPAM, as servidoras em questão são Agineia Maia Botelho, conhecida como Neia Botelho, e Vilene Maria de Lima, também chamada de Vivi Lima. Ambas integram atualmente a equipe do gabinete do vereador Kennedy Marques na CMM, ocupando cargos que geram remuneração com recursos públicos, conforme apurado pela promotoria e divulgado pelo próprio MPAM.

Mãe de filha do vereador e ex-companheira de longa data nomeadas para cargos comissionados

A promotoria identificou que Agineia Maia Botelho é mãe de uma filha do parlamentar. Ela ocupa o cargo de APC-1, com uma remuneração aproximada de R$ 3 mil. Já Vilene Maria de Lima, que teve um relacionamento com Kennedy Marques por cerca de dez anos, ocupa o cargo de APC-10, com um salário em torno de R$ 4 mil. As nomeações levantam suspeitas de favorecimento pessoal e desvio de finalidade na contratação de pessoal.

Vereador Kennedy Marques se defende das acusações de nepotismo

Em resposta enviada ao Ministério Público, o vereador Kennedy Marques afirmou que Agineia é, de fato, mãe de sua filha. No entanto, ele declarou que os dois nunca tiveram casamento nem união estável, e que a relação se resumiu a um encontro eventual em 1991. Quanto a Vilene Maria, o parlamentar confirmou que mantiveram uma união estável, mas que esta ocorreu entre 1992 e 2001, ou seja, há muitos anos.

Próximos passos: Audiência e possíveis consequências legais

O MPAM já marcou uma audiência para o mês de julho. Nesta data, o vereador Kennedy Marques e as servidoras Agineia Maia Botelho e Vilene Maria de Lima deverão comparecer para prestar esclarecimentos sobre o caso. A expectativa é que a investigação traga mais luz sobre as circunstâncias das nomeações e a relação entre os envolvidos.

Caso a investigação do Ministério Público aponte irregularidades e a Justiça confirme a prática de nepotismo, medidas legais poderão ser aplicadas. Entre as possíveis sanções estão a suspensão das nomeações, a perda da função pública para os envolvidos, a restrição de direitos políticos e a aplicação de multa. A decisão final dependerá das provas apresentadas e da análise judicial.