Professor de jiu-jitsu Melqui Galvão é flagrado em videochamada dentro de cela em Manaus, aponta investigação

Imagens chocantes obtidas pela Polícia Civil do Amazonas revelam o professor de jiu-jitsu e lutador Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, utilizando um celular em sua cela em Manaus. O vídeo, gravado pela pessoa com quem o treinador conversava por videochamada, foi entregue às autoridades e agora integra o inquérito que apura denúncias de violência sexual contra ele.

A gravação levanta sérias suspeitas de que Melqui Galvão teria tentado coagir vítimas e testemunhas do caso durante a conversa. A polícia investiga como o aparelho celular entrou na unidade prisional, um ponto crucial para entender a extensão do ocorrido e a possível participação de terceiros.

As novas evidências surgem em um momento de intensificação das investigações, com o inquérito incorporando mais depoimentos e denúncias. Uma das vítimas relatou à reportagem que os abusos teriam começado quando ela ainda era adolescente e participava de um projeto social de jiu-jitsu coordenado pelo treinador. Conforme apurado, Melqui Galvão utilizava a oferta de apoio financeiro para competições e equipamentos como forma de se aproximar das jovens atletas. As informações foram divulgadas pelo Bom Dia Brasil.

Irmão de Melqui Galvão Suspeito de Facilitar Entrada de Celular na Prisão

As investigações apontam o irmão de Melqui Galvão, o policial civil Enoque Galvão, como suspeito de ter facilitado a entrada do aparelho celular na unidade prisional. Enoque Galvão também é alvo de acusações de importunação sexual e estupro por duas vítimas, que teriam ocorrido durante uma visita a um projeto social do irmão. Ele chegou a ser preso temporariamente.

Novas Denúncias Ampliam o Escopo da Investigação Contra o Treinador

O caso ganhou ainda mais força com novas denúncias sendo incorporadas ao inquérito. Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, contou que sofreu abusos quando era adolescente e participava de um projeto social de jiu-jitsu. Segundo o depoimento, Melqui Galvão oferecia ajuda financeira para custear competições, graduações e equipamentos esportivos, utilizando essa proximidade para se aproximar das atletas.

O professor de jiu-jitsu, conhecido no meio esportivo como faixa preta e responsável por uma academia na Zona Norte de Manaus, é pai do multicampeão da modalidade, Mica Galvão. Após a prisão do pai, Mica Galvão se manifestou nas redes sociais, expressando a dificuldade do momento e defendendo que o caso seja apurado com rigor, ao mesmo tempo em que repudiou qualquer forma de violência contra mulheres e crianças.

Adolescente de 17 Anos é a Primeira a Denunciar Abusos em Competição Internacional

A investigação teve início após uma adolescente de 17 anos, ex-aluna de Melqui Galvão, denunciar a prática de atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do Brasil. A vítima, que reside nos Estados Unidos, já foi ouvida pelas autoridades. A prisão temporária do treinador foi decretada com base nas denúncias reunidas pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que apura relatos de abusos envolvendo pelo menos três vítimas.

A polícia informou que os denunciantes apresentaram uma gravação na qual o investigado admite indiretamente os fatos e tenta evitar que o caso avance, oferecendo compensação financeira. Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país, relatando episódios semelhantes, sendo que em um dos casos a vítima tinha 12 anos na época dos fatos. Melqui Galvão foi preso em Manaus após se apresentar às autoridades, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a ele em Jundiaí, interior de São Paulo.

A Polícia Civil do Amazonas informou que as investigações continuam em Manaus, com depoimentos presenciais e virtuais para esclarecer os possíveis crimes. O suspeito está detido na Delegacia-Geral e aguarda decisão judicial para ser transferido a um presídio em São Paulo, onde o mandado de prisão temporária foi expedido.