Amazonas em Alerta: Latrocínios Dobram e Feminicídios Crescem 166,6% em 2026
Os primeiros quatro meses de 2026 trouxeram dados preocupantes para a segurança pública no Amazonas. Enquanto o número geral de homicídios apresentou uma leve queda, os crimes de latrocínio e feminicídio registraram aumentos expressivos, acendendo um alerta para as autoridades e a população.
A disparada nesses tipos de crimes violentos reflete uma realidade complexa no estado, onde a sensação de insegurança pode ser intensificada mesmo com estatísticas gerais mais favoráveis. A análise detalhada dos números revela desafios específicos que demandam atenção urgente.
Conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), a taxa de latrocínios, roubo seguido de morte, dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior. Os feminicídios, que vitimam mulheres em razão de gênero, apresentaram um crescimento ainda mais alarmante, de 166,6%.
Aumento Alarmante de Crimes Contra o Patrimônio e a Vida
O levantamento da SSP-AM aponta que os casos de latrocínio passaram de cinco para dez registros entre janeiro e abril de 2026, o que representa um aumento de 100%. Já os feminicídios saltaram de três para oito ocorrências no mesmo período, configurando a alta de 166,6%. Esses números contrastam com a redução de 4,1% nos homicídios, que caíram de 217 para 208 casos.
Manaus Concentra o Maior Número de Mortes Violentas
A capital amazonense, Manaus, continua sendo o epicentro da violência no estado. Dos 232 casos de mortes violentas contabilizados até abril, 109 ocorreram na capital. Outras cidades como Tabatinga (13 ocorrências), Coari (9), Manacapuru (8), Autazes (7) e Itacoatiara (6) também aparecem no levantamento, que engloba homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, feminicídios e mortes por tortura.
Armas de Fogo Predominam em Crimes Violentos
A predominância de armas de fogo na autoria das mortes violentas é um dado relevante. De acordo com a SSP-AM, 94 casos foram cometidos com armamento desse tipo. Crimes com arma branca e agressões físicas aparecem na sequência. O perfil das vítimas indica que pessoas entre 35 e 64 anos representam 40% dos casos registrados no período.
Especialistas e População Refletem Sobre a Violência
A especialista em segurança pública Cecília Olliveira destaca que o aumento da violência impacta diretamente a sensação de segurança da população e a confiança nas instituições. O sociólogo Lúcio Carril reforça que o enfrentamento da criminalidade exige investimentos em inteligência policial e ações sociais, como o combate à pobreza e ao desemprego. Nas ruas, o medo da criminalidade tem levado moradores a mudarem suas rotinas, como relata a professora Diana Cunha, que reforçou seus cuidados ao se deslocar pela cidade.
Caso Carlos André Almeida Cardoso: Símbolo da Insegurança
O cenário de violência no estado ganhou destaque com casos que repercutiram intensamente, como a morte do entregador Carlos André Almeida Cardoso, de 19 anos, após uma abordagem policial em Manaus. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da agressão e disparos efetuados por policiais militares. Um laudo do Instituto de Criminalística concluiu que não houve colisão entre a motocicleta da vítima e a viatura policial. Até o momento, apenas um sargento da PM foi indiciado por homicídio no caso, e a mãe do jovem segue aguardando por justiça, reforçando a sensação de insegurança e a necessidade de responsabilização.