Lula no Amazonas: A busca por um palanque unificado para 2026 e os desafios do PT local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve no Amazonas para uma agenda oficial, mas sua visita não selou um acordo para incluir Marcelo Ramos, do PT, como candidato ao Senado na chapa majoritária que visa apoiar o governo federal no estado.

A oficialização da pré-candidatura de Ramos ao Senado pelo PT local não foi alinhada com os planos de Omar Aziz (PSD), que busca o governo estadual, nem com Eduardo Braga (MDB), senador favorito à reeleição. A situação gera incertezas sobre a unidade do campo político alinhado a Lula para as eleições de 2026.

Durante a visita, Lula participou de eventos importantes, como entregas do programa Minha Casa, Minha Vida e visitas a estaleiros. No entanto, os bastidores políticos indicam que a formação de uma chapa coesa para as próximas eleições ainda enfrenta obstáculos significativos, conforme apurado pela reportagem.

Jantar em Manaus e a ausência de acordo para a candidatura de Marcelo Ramos

Na noite de terça-feira, um jantar oferecido a Lula reuniu mais de 350 convidados, incluindo figuras políticas e empresariais do estado. Estavam presentes Omar Aziz e Eduardo Braga, mas, segundo os parlamentares, a candidatura de Marcelo Ramos ao Senado não foi tema de discussão direta com o presidente durante o evento.

Eduardo Braga, inclusive, ressaltou que seu apoio a Lula é uma questão de compromisso pessoal e com o MDB, e não com o PT. “O MDB é um partido que tem dimensão, tem capilaridade, estou liderando pesquisas no meu estado. Eu apoio presidente Lula desde 98. Portanto, a minha questão com Lula não passa pelo PT”, declarou Braga.

Marcelo Ramos mantém candidatura ao Senado apesar do impasse

Marcelo Ramos confirmou que não houve articulação política direta de Lula para formalizar sua entrada na chapa majoritária. Apesar disso, o ex-deputado federal petista afirmou que a questão está resolvida para o PT e que ele será candidato ao Senado.

“Para nós do PT, está muito resolvido. O senador Omar é nosso candidato a governador, o MDB decidiu ter um candidato a senador e o PT decidiu ter um candidato a senador. Está resolvido, não tem ninguém a mais nessa chapa”, explicou Ramos, enfatizando a importância de Eduardo Braga no Senado, mas deixando claro que a decisão de Braga em compor com eles não é uma questão controlada pelo PT.

Avaliação política e a força do bolsonarismo no Amazonas

Aliados de Omar Aziz e Eduardo Braga avaliam que o PT estaria tentando “forçar” uma vaga na chapa sem ter contribuído para a construção do grupo de apoio a Lula no estado nos últimos anos. Eles apontam a pouca relevância do PT local, que contrasta com o crescimento do bolsonarismo na região.

A estratégia do grupo seria concentrar esforços na reeleição de Eduardo Braga, dada a importância de ter um representante forte no Senado para o Amazonas. Um exemplo citado é que, dos mais de 300 convidados no jantar, apenas dez eram do PT, demonstrando a força relativa do partido.

O futuro da aliança e a vaga de suplente do PT

Um ponto estratégico levantado por aliados é que o PT já teria uma vaga no Senado garantida caso Omar Aziz vença a eleição para governador, uma vez que sua suplente, Cheila Moreira, é filiada ao partido. Isso pode explicar a resistência em abrir mão de uma candidatura própria.

Jilmar Tatto, coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, reconhece a complexidade do cenário no Amazonas. “O problema é que ali tem um certo ruído, tem os outros que não querem o PT, que acham que tem que ser mais amplo, mas ele [Marcelo] está crescendo nas pesquisas. A nossa posição é essa chapa: Omar Aziz, Eduardo Braga e Marcelo Ramos”, afirmou Tatto, indicando a posição oficial do partido.