EUA impõem sanções a órgão iraniano por cobrança de taxas em rota estratégica de petróleo
Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), entidade criada pelo Irã para exigir o pagamento de taxas de embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz. A medida, divulgada pelo Departamento do Tesouro norte-americano, visa desarticular o que o governo americano descreve como uma tentativa de extorsão e fonte de financiamento para o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, conectando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar Arábico. A PGSA, segundo o Tesouro dos EUA, tem exigido informações e cobrado valores em troca de permissão para a travessia, além de orientar navios a seguir rotas específicas próximas à costa iraniana, sob influência do IRGC.
Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA, declarou que a ação iraniana é uma resposta direta à política de pressão econômica adotada pelo governo Trump, conhecida como “Economic Fury”. Ele afirmou que essa estratégia tem privado o regime iraniano de recursos essenciais para programas de armas, financiamento de grupos aliados e seu programa nuclear. Conforme informação divulgada pelo Departamento do Tesouro norte-americano, a PGSA foi sancionada por prestar apoio material, financeiro ou tecnológico ao IRGC.
Detalhes das Sanções e o Impacto no Comércio Marítimo
As sanções, implementadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), preveem o bloqueio de bens e ativos da PGSA nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos. Além disso, empresas com controle superior a 50% por entidades sancionadas também se tornam alvos das restrições. Cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de realizar transações com a PGSA, exceto sob autorizações específicas da OFAC.
O Tesouro dos EUA também alertou que instituições financeiras estrangeiras que se envolverem em certas operações com a autoridade iraniana poderão ser sujeitas a sanções secundárias. A orientação se estende a pessoas ou embarcações que cooperarem com as cobranças iranianas, seja por meio de pagamentos em moedas tradicionais, ativos digitais, compensações, trocas informais, doações ou fornecimento de informações sensíveis sobre navios.
“Economic Fury”: A Estratégia Americana Contra o Irã
A iniciativa faz parte da campanha “Economic Fury”, projetada para intensificar a pressão econômica sobre o Irã. Segundo o Tesouro, essa estratégia já resultou no bloqueio de dezenas de bilhões de dólares que poderiam ser acessados pelo governo iraniano e seus aliados, incluindo cerca de US$ 500 milhões em criptomoedas ligadas ao regime. O órgão americano reafirmou seu compromisso em continuar monitorando e combatendo esquemas de evasão de sanções, tanto os tradicionais quanto o uso de ativos digitais.
O Departamento do Tesouro também indicou que continuará a agir contra empresas estrangeiras que apoiem o comércio iraniano considerado ilícito, incluindo companhias aéreas e instituições financeiras. A intenção é **restringir a rede de embarcações, intermediários e compradores** pela qual o Irã exporta seu petróleo e financia atividades consideradas maléficas.