Roraima se prepara para combater o caruru-palmeri, uma praga agrícola de alto risco
A Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima (Aderr) deu início nesta terça-feira (26) a uma importante ação de vigilância fitossanitária. O objetivo principal é monitorar a presença do caruru-palmeri, uma planta daninha considerada uma das maiores ameaças à agricultura brasileira, especialmente para as culturas de soja e milho.
Esta iniciativa preventiva é crucial, pois atualmente Roraima é reconhecida como área livre do caruru-palmeri. Segundo o presidente da Aderr, José Carlos Markus, o foco é **impedir a entrada e a disseminação** desta espécie no território roraimense, protegendo assim a produtividade das lavouras locais.
A fiscalização abrangerá propriedades rurais em diversos municípios, incluindo Boa Vista, Amajari, Bonfim, Alto Alegre, Mucajaí, Iracema, Caracaraí e Cantá, e seguirá até o dia 30 de setembro. As equipes técnicas da Aderr realizarão levantamentos detalhados e, em caso de suspeita, adotarão medidas imediatas para conter qualquer foco inicial da praga. Conforme informação divulgada pela Aderr, a ação visa manter o estado como área livre da praga.
Entenda os perigos do caruru-palmeri
O caruru-palmeri, cientificamente conhecido como Amaranthus palmeri, destaca-se como uma das plantas invasoras mais desafiadoras de controlar. Sua agressividade e **alta capacidade de adaptação a diferentes tipos de solo** causam perdas significativas na produtividade das áreas afetadas.
Um dos fatores que mais preocupam é a sua **resistência a herbicidas com diferentes mecanismos de ação**. Essa característica biológica dificulta enormemente o manejo e o controle da planta, tornando a prevenção ainda mais vital para a agricultura.
Potencial de disseminação alarmante
A capacidade reprodutiva do caruru-palmeri é outro ponto de atenção. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma única planta dessa espécie pode produzir uma quantidade impressionante de sementes, **variando entre 100 mil e 1 milhão**.
Esse elevado potencial de produção de sementes amplia exponencialmente o risco de disseminação da praga, tornando essencial o monitoramento constante e a rápida resposta em caso de detecção, conforme as diretrizes da Aderr.
Histórico da praga no Brasil
O caruru-palmeri foi identificado pela primeira vez em território brasileiro no ano de 2015, tendo seu surgimento registrado no estado de Mato Grosso. Desde então, sua ocorrência oficial tem se concentrado em algumas regiões específicas do país.
Atualmente, a presença confirmada do Amaranthus palmeri no Brasil está restrita a **quatro municípios de Mato Grosso e dois municípios de Mato Grosso do Sul**, o que reforça a importância das ações preventivas em estados como Roraima para evitar a sua expansão.