Karina Ferreira da Gama, produtora de filme sobre Bolsonaro, buscou Lei Rouanet para projetos de R$ 8,6 milhões

Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, buscou a Lei Rouanet para captar R$ 8,59 milhões em recursos para quatro eventos. Os pedidos foram feitos por meio do Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela.

No entanto, o instituto conseguiu obter recursos para apenas uma atração, “Rute – o Ballet”, que levantou R$ 107 mil com a lei de incentivo cultural. A Lei Rouanet, alvo frequente de críticas de bolsonaristas, foi mencionada nas respostas de Flávio Bolsonaro após a divulgação de um áudio em que ele pedia a um ex-banqueiro para bancar o filme.

Flávio Bolsonaro afirmou que o pedido de patrocínio era para um filme privado, sem uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet. Recentemente, o presidente Lula defendeu a lei, criticando as conversas entre o dono do Banco Master e o senador.

Projetos recusados e o “Rute – o Ballet”

O Instituto Conhecer Brasil tentou captar verbas pela Lei Rouanet para projetos apresentados entre 2015 e 2019. O maior pedido, aprovado durante o governo Bolsonaro, era para captar R$ 5,9 milhões para shows ligados à Marcha para Jesus em 15 estados. O plano era atrair 3 milhões de pessoas com apresentações de artistas de expressão nacional.

Com a pandemia, o prazo para captação foi ampliado até o fim de 2022, mas o instituto não levantou a verba. Karina Gama, que se descreveu como coordenadora-geral do “festival itinerante”, afirmou ter 20 anos de experiência em desenvolvimento de planos estratégicos corporativos, sociais, culturais e econômicos.

O único projeto que conseguiu levantar recursos foi “Rute – o Ballet”, apresentado em 2019 e realizado no ano seguinte. O governo autorizou a captação de R$ 157 mil, dos quais R$ 107 mil foram efetivamente obtidos. O instituto também recebeu aval para captar recursos para o teatro “Turma do Smilinguido” e para a turnê da cantora Hadassah Perez, cerca de R$ 1,2 milhão para cada, mas a verba não chegou a ser obtida.

Outras fontes de financiamento e polêmicas

Além da Go Up Entertainment, Karina Ferreira da Gama tem outras empresas e entidades culturais beneficiadas por verbas públicas. O Instituto Conhecer Brasil firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), para receber R$ 108 milhões para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda.

O instituto também recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor e roteirista do filme “Dark Horse”. Karina já afirmou que a contratação pela prefeitura e os recursos de emendas parlamentares ocorreram de maneira regular, sem ligação com o filme.

Mario Frias, em sua defesa, mencionou sua experiência na Secretaria Especial da Cultura, onde teria gerido bilhões da Lei Rouanet com “mãos limpas”. Deputados estaduais também direcionaram R$ 700 mil a empresas e entidades ligadas à produtora.

Financiamento privado e suspeitas da PF

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”. Segundo o Intercept Brasil, o valor total negociado entre Vorcaro e a família Bolsonaro era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro tenha sido repassado.

A Polícia Federal suspeita que o valor repassado por Vorcaro possa ter sido usado para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio e Eduardo Bolsonaro já negaram essa versão. O senador afirmou que pediu ao fundo privado a disponibilização do contrato ou a prestação de contas pela produtora no Brasil.