A influenciadora e advogada Deolane Bezerra está sendo transferida, na manhã desta sexta-feira (22), para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada no interior de São Paulo. A informação foi confirmada ao CNN Brasil pelo secretário de Segurança Pública do estado, Nico Gonçalves.
Deolane deixou a Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na zona norte da capital paulista, por volta das 5h. A unidade de destino fica a aproximadamente 670 km de São Paulo, com duração estimada de viagem superior a sete horas.
Prisão e contexto da investigação
A advogada foi presa preventivamente na última quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente. As investigações apontam que Deolane integrava um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, em entrevista à CNN Brasil, Deolane faria parte da “arquitetura financeira” da facção desde 2022, sendo considerada um “verdadeiro caixa” do grupo criminoso. Ele a descreveu como integrante da “nova face” do PCC — pessoas sem vínculo formal com a facção, mas que auxiliam na movimentação de recursos e ocultação de valores.
Histórico e próximos passos
A investigação teve início em 2019, com a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Documentos apreendidos mencionavam uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado em ataques contra agentes públicos. A partir daí, três inquéritos foram instaurados, levando à identificação da empresa Lopes Lemos Transportes e, posteriormente, à conexão de Deolane com Everton Souza, conhecido como “Player”.
O Gaeco de Presidente Prudente e a Polícia Civil de São Paulo seguem à frente das apurações, que também miram bloqueios patrimoniais e empresas suspeitas de ocultar recursos do PCC.
Manifestações da defesa
Em nota, a defesa de Deolane Bezerra afirmou que a prisão preventiva é desproporcional e reiterou a “mais absoluta inocência” da advogada, confiando na “razoabilidade e imparcialidade do Poder Judiciário”.
Já a irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, também advogada, classificou a nova prisão como uma “perseguição”. Em publicação nas redes sociais, ela escreveu: “Acusar é fácil. Difícil é provar. (…) Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social. Perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”