A Justiça da Bahia determinou, nesta quarta-feira (20), o afastamento de três médicos investigados por supostas irregularidades em um mutirão de cirurgias oftalmológicas realizado em fevereiro deste ano em uma clínica em Salvador . Após os procedimentos, ao menos 11 pacientes precisaram passar por evisceração ocular, cirurgia em que o conteúdo interno do olho é removido.

De acordo com as informações da PCBA (Policia Civil do Estado da Bahia), ao menos 33 dos 138 pacientes idosos atendidos durante o mutirão apresentaram graves complicações de saúde, incluindo perda parcial e irreversível da visão.

Até o momento, foram registradas 33 denúncias de lesão corporal culposa, além de indícios da prática dos crimes de perigo para a vida ou saúde de outrem e infração de medida sanitária preventiva.

O afastamento foi autorizado pela 1ª Vara das Garantias de Salvador, após representação da autoridade policial responsável pelo inquérito, com o objetivo de preservar elementos probatórios e subsidiar o aprofundamento das investigações.

Durante o cumprimento da ordem judicial, foram apreendidos documentos e materiais que podem auxiliar na elucidação dos fatos, entre eles o livro de cirurgias, guias de solicitação de internação, livro de registro de esterilização do Centro de Material e Esterilização (CME), livro de registro de ocorrências da unidade, além de cinco computadores, um tablet, um pendrive, receitas e notas fiscais.

O material apreendido foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), onde será submetido a exames periciais. As investigações seguem em curso para aprofundar a apuração e responsabilizar todos os envolvidos.

A ação foi realizada por meio da Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (DEATI), unidade vinculada ao Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), e integra investigação que apura complicações de saúde apresentadas por pacientes submetidos ao procedimento.