Amazonas registra média alarmante de três estupros por dia em 2026, com crescimento de 36%

O Amazonas tem enfrentado uma escalada assustadora nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Entre janeiro e março de 2026, o estado registrou 313 ocorrências de estupro e estupro de vulnerável, o que equivale a uma média de três crimes sexuais a cada dia. Os dados são um retrato sombrio da realidade enfrentada pelas famílias amazonenses.

Este número representa um aumento significativo de 36% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em 2025, foram contabilizados 230 crimes sexuais contra o público infantojuvenil no estado, evidenciando a urgência de ações mais eficazes de prevenção e combate.

As estatísticas alarmantes foram divulgadas pelo g1, com base em informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). O levantamento aponta que a capital, Manaus, concentra a maior parte dos registros, mas o interior do estado também apresenta números preocupantes, com cidades como Itacoatiara, Lábrea e Santo Antônio do Içá figurando entre as que mais registram esses crimes hediondos.

Manaus lidera o ranking de estupros, mas interior também preocupa

Em Manaus, foram registrados 124 casos de estupro e estupro de vulnerável no primeiro trimestre de 2026. No interior, Itacoatiara aparece em segundo lugar no estado, com 18 ocorrências, sendo a maioria classificada como estupro de vulnerável. Lábrea, com 11 casos, e Santo Antônio do Içá, com 10, seguem na lista de municípios com maior incidência.

Manacapuru, com 9 casos, completa o grupo das cinco cidades mais afetadas. Outros municípios como Iranduba e Manaquiri registraram 7 casos cada, seguidos por Autazes, Humaitá e Maués, cada um com 6 ocorrências. A gravidade da situação exige atenção especial em todas as regiões do estado.

Comparativo com 2025 revela aumento expressivo

Ao comparar os dados de 2026 com o ano anterior, o aumento de 36% se torna ainda mais evidente. Em 2025, Manaus registrou 107 casos, Itacoatiara 15 e Manacapuru 11, consolidando a região metropolitana como um foco de atenção. Contudo, a expansão dos casos para o interior demonstra que o problema é sistêmico.

A SSP-AM tem trabalhado para identificar os padrões e as circunstâncias que levam a esses crimes, buscando aprimorar as estratégias de policiamento e investigação. A colaboração da sociedade civil e a denúncia de qualquer suspeita são fundamentais para reverter esse quadro alarmante.

Caso em Tabatinga expõe crueldade e vulnerabilidade

Um caso chocante registrado na zona rural de Tabatinga, na Tríplice Fronteira, evidencia a crueldade desses crimes. Uma adolescente indígena Tikuna de 12 anos foi vítima de estupro pelo próprio padrasto, resultando em gravidez. As investigações apontam que o suspeito oferecia um líquido à vítima antes dos abusos, um detalhe macabro que chocou os investigadores.

Segundo a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), uma testemunha relatou ter presenciado um dos abusos em 1º de fevereiro, em uma comunidade indígena. A investigação segue em andamento para que o agressor seja responsabilizado por seus atos, reforçando a importância do combate à impunidade e da proteção aos grupos mais vulneráveis.