Laudos Detalham Lesões Graves Após Morte de Professora em Piscina de Academia em SP

A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após nadar em uma piscina da academia C4 GYM, na Zona Leste de São Paulo, em fevereiro deste ano, ganhou novos contornos com a divulgação de laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML). Os exames apontaram lesões graves em diversos órgãos da vítima, com destaque para o pulmão, indicando um quadro compatível com intoxicação.

A investigação policial, conduzida pelo 42º Distrito Policial do Parque São Lucas, busca esclarecer as circunstâncias exatas que levaram à morte de Juliana. Conforme informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), diversas pessoas foram ouvidas, incluindo testemunhas e pessoas ligadas à academia, e a apuração segue em andamento.

Os laudos, obtidos pela CNN Brasil, detalham que Juliana apresentava lesões na cabeça, rins, fígado e pulmão. A condição mais preocupante encontrada nos exames foi a “necrose fibrinoide incipiente de septos alveolares” no pulmão, um dano celular caracterizado pelo acúmulo de material proteináceo nas paredes dos alvéolos, indicativo de um processo inflamatório agudo, como uma reação à intoxicação.

Análise da Água e Produtos da Piscina Revelam Potencial de Risco

Os peritos analisaram a água da piscina e os produtos químicos encontrados no local. No entanto, o laudo ressalta que o tempo decorrido entre o incidente e a perícia pode ter alterado as condições originais, dificultando a identificação de eventuais gases liberados na época. Ainda assim, a análise dos materiais revelou a presença de pelo menos 16 produtos utilizados na limpeza da piscina.

Em um dos materiais periciados, foram identificadas “substâncias de naturezas químicas distintas, incluindo compostos clorados e substâncias ácidas”. O documento aponta que a interação desses produtos, dependendo da concentração e das condições ambientais, pode gerar reações químicas com possível liberação de gases irritantes. Contudo, o laudo não conseguiu comprovar a ocorrência específica dessa reação no dia do incidente.

Duas Hipóteses Principais para a Liberação de Gases

Apesar das limitações, os peritos consideram que, em tese, um cenário de liberação de gás irritante por interações químicas incompatíveis na área de natação é possível. A avaliação técnica sugere que a análise dos produtos deve ser feita em conjunto, destacando a presença simultânea de compostos clorados e agentes acidificantes. Essa combinação configura uma condição “potencialmente apta, em tese, à formação de gases irritantes, caso tenha ocorrido contato indevido entre tais substâncias”.

O laudo apresenta duas hipóteses principais para o ocorrido: a primeira sugere uma interação entre fontes de cloro e substâncias ácidas; a segunda, a mistura de cloro inorgânico e orgânico. Os peritos enfatizam, porém, que essas hipóteses são possibilidades técnicas fundamentadas, mas não permitem estabelecer com segurança a ocorrência de uma reação específica, dada a ausência de caracterização direta de eventual fase gasosa.

Investigação Policial em Andamento para Esclarecer as Responsabilidades

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que a investigação policial segue em andamento, sob o acompanhamento do Departamento de Inquéritos Policiais (DIPO). O objetivo é esclarecer todas as circunstâncias do crime e determinar a participação de todos os envolvidos. Diligências estão sendo realizadas para garantir as devidas responsabilizações e os esclarecimentos necessários.