Mello Araújo relata plano para desmoralizá-lo e chateia Ricardo Nunes em São Paulo

O vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL), registrou dois boletins de ocorrência sem comunicar previamente o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A atitude gerou desconforto e embaraços entre os dois líderes da gestão municipal.

Araújo alegou à polícia ter sofrido um furto de celular e ser alvo de uma campanha difamatória. Segundo ele, a intenção seria manchar sua imagem devido às apurações de possíveis irregularidades na prefeitura, que já resultaram na exoneração de servidores.

Ricardo Nunes, por sua vez, declarou ter tomado conhecimento dos fatos apenas pela imprensa na noite de segunda-feira (9). Tentativas de contato com o vice não foram atendidas, e o assunto ainda não foi abordado diretamente entre eles, conforme apurado até a tarde desta sexta-feira (13). As informações foram divulgadas pelo Painel.

Vice-prefeito alega plano para criar conta falsa no Uruguai

Nos boletins de ocorrência, Mello Araújo detalhou que recebeu informações sobre a contratação de pessoas para grampear seu celular. Além disso, relatou que haveria um plano para abrir uma conta bancária em seu nome no Uruguai, que receberia depósitos de uma empresa de ônibus.

O objetivo, conforme descrito por Araújo, seria **”desmoralizar minha imagem, devido às minhas atitudes de depurações e exonerações que estamos fazendo na Prefeitura de São Paulo”**. Ele acrescentou que a intenção seria **”divulgar para a imprensa, passando a imagem de corrupto desmoralizando a imagem deste vice-prefeito”**.

Nunes critica falta de comunicação e aponta inconsistências

Interlocutores do prefeito Ricardo Nunes sugeriram que Mello Araújo deveria ter comunicado os fatos internamente antes de registrar os boletins. Argumenta-se que qualquer suspeita contra membros do governo deve ser apurada pela própria gestão, e a forma como o caso foi relatado estaria colocando toda a prefeitura sob suspeita.

Nunes também ressaltou publicamente que o furto do celular de Araújo ocorreu no dia 1º de maio, durante um protesto contra o presidente Lula (PT) e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), mas o registro oficial só foi feito no dia 9. Essa **discrepância no tempo** entre o ocorrido e a comunicação formal também gerou questionamentos.

“A verdade vai aparecer”, afirma Mello Araújo

Questionado pelo Painel sobre os desdobramentos, Mello Araújo limitou-se a dizer que **”a verdade vai aparecer se Deus quiser”**. A declaração reforça a tensão e a falta de diálogo que marcam as relações entre o prefeito e seu vice neste momento, em meio a acusações sérias sobre tentativas de golpe e difamação dentro da administração municipal.