Vereador Rosinaldo Bual emite presença virtual em sessões da CMM, mesmo afastado judicialmente
O vereador Rosinaldo Bual voltou a registrar sua presença nas sessões da Câmara Municipal de Manaus (CMM), conforme atas oficiais divulgadas pelo Legislativo. A situação chama atenção pois Bual está afastado do cargo por decisão judicial há 120 dias, desde que foi preso em outubro de 2025, sob suspeita de envolvimento no esquema de rachadinha.
Documentos referentes aos dias 9, 10 e 11 de fevereiro indicam a presença do parlamentar, inclusive na cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos. No entanto, Bual não foi visto fisicamente na Câmara em nenhuma dessas datas, levantando questionamentos sobre a forma como sua presença está sendo contabilizada.
A CMM, em nota, esclareceu que o vereador não comparece presencialmente, mas realiza o registro de presença de forma virtual. O formato remoto, segundo a Casa Legislativa, está disponível desde a pandemia de Covid-19. A reportagem buscou contato com a defesa de Rosinaldo Bual e aguarda retorno.
Investigação aponta para esquema de rachadinha e lavagem de dinheiro
Rosinaldo Bual foi preso em 3 de outubro, em uma operação do Ministério Público do Amazonas (MPAM). Durante o cumprimento de mandados, foram encontrados em sua posse três cofres com R$ 390 mil em espécie, dois cheques que somavam mais de R$ 500 mil e diversos documentos, incluindo passaportes. A investigação sugere que Bual utilizava parte dos salários de servidores para benefício próprio, em um esquema de rachadinha, e também respondia por lavagem de dinheiro, associação criminosa e uso de funcionários fantasmas.
De acordo com as apurações, mais de 100 pessoas teriam trabalhado em seu gabinete. Funcionários eram supostamente coagidos a repassar metade de seus salários para Bual, seja em dinheiro vivo ou via Pix. A Justiça determinou o afastamento de Bual das funções parlamentares por 120 dias, além da quebra de sigilos e o bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.
Habeas Corpus concede liberdade provisória com medidas cautelares
Em dezembro, o vereador obteve um habeas corpus concedido pela Justiça do Amazonas, que substituiu a prisão por medidas cautelares. A decisão foi relatada pelo desembargador Jorge Lins. Apesar do habeas corpus, o afastamento de 120 dias do cargo ainda estaria em vigor, o que reforça as dúvidas sobre o registro de presença virtual do parlamentar.
A investigação também apontou que os valores apreendidos estariam ligados a um esquema de agiotagem. O caso segue em andamento, com o vereador respondendo em liberdade às acusações. A situação de Bual na CMM continua sendo um ponto de atenção, com a Câmara se limitando a informar sobre a possibilidade de registro de presença virtual.