UEA: 25 anos de Missão Cumprida na Interiorização do Ensino Superior Amazonense

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) celebra um quarto de século de existência, consolidando-se como um marco na democratização do acesso ao ensino superior no Brasil. Nascida de um projeto audacioso em meio a limitações estruturais, a instituição se expandiu para 17 municípios, mudando a realidade de inúmeras famílias amazonenses.

O objetivo primordial da UEA, desde sua criação em 2001, era romper as vastas distâncias geográficas do Amazonas, levando cursos de graduação e formação profissional para regiões onde o ensino superior era um sonho distante. Essa missão, desafiadora desde o início, transformou a universidade em uma referência nacional em interiorização.

A trajetória de sucesso e impacto da UEA foi destacada em uma série especial do Jornal do Amazonas 2ª edição, que começou a ser exibida em 28 de fevereiro. A reportagem aprofundou a história de superação e os resultados concretos da universidade na vida de milhares de cidadãos. Conforme informações divulgadas, a UEA se tornou um motor de inclusão social e desenvolvimento regional.

Os Desafios Iniciais e a Visão de Futuro

A fundação da UEA representou um ato de coragem, partindo de um projeto com “páginas em branco”, ideias ousadas e a determinação para enfrentar as barreiras impostas pelo maior estado do país. A proposta era clara: descentralizar o ensino superior, aproximando-o da população do interior.

O professor Valber Martins, que atuou por muitos anos na Pró-Reitoria de Interiorização, testemunhou de perto essa expansão. Ele ressalta que os cursos oferecidos são pensados para atender às necessidades específicas de cada região. “Os cursos ofertados para o interior, eles procuram atender realmente as necessidades de cada região, de cada município”, explicou Martins, enfatizando o envolvimento das comunidades na definição das grades curriculares.

A universidade buscou compreender as “reais necessidades de cada município” para oferecer cursos que promovessem a inclusão social e o desenvolvimento local. Essa abordagem direcionada permitiu que a UEA se tornasse um agente transformador, atuando diretamente nos problemas e gargalos de cada localidade.

Transformando Vidas: Histórias de Sucesso e Empoderamento

Ao superar as barreiras geográficas, a UEA abriu portas para milhares de pessoas, mudando o destino de suas famílias. Um exemplo inspirador é o da professora Emilly Marinho, indígena do povo Kokama. Ela teve acesso ao ensino superior graças à universidade e hoje contribui ativamente para a educação de novas gerações.

Emilly descreve a UEA como uma “segunda mãe”, pois foi dentro de seus muros que sua formação pessoal e profissional se consolidou. “Eu costumo dizer que a UEA, pra mim, é uma segunda mãe porque eu consegui todo o meu processo formativo enquanto pessoa, professora, toda a minha identidade docente, ela se construiu dentro desse espaço de formação que é a Universidade do Estado do Amazonas”, relatou.

Sua trajetória também a fez compreender seu papel como pesquisadora e mulher indígena, levando sua identidade e a representatividade do professor indígena e do interior para outros espaços, fortalecendo a diversidade no meio acadêmico.

Expansão e Consolidação: Uma Construção Coletiva

A história da UEA, cobrindo seus primeiros 20 anos, foi registrada no livro escrito por Etelvina Garcia. A obra destaca a juventude da universidade, que aos 25 anos ostenta uma missão ainda mais consolidada. Inicialmente com sete unidades, sendo cinco em Manaus e duas no interior, a UEA cresceu exponencialmente em estrutura, cursos e alcance social.

Atualmente, a universidade conta com 17 núcleos, incluindo centros importantes como os de Parintins, Tefé, Itacoatiara, Lábrea e São Gabriel da Cachoeira. Além disso, polos são estabelecidos conforme a demanda dos cursos em diversos municípios, garantindo a capilaridade da instituição.

A professora Marilene Corrêa, segunda reitora da UEA (2007-2012), relembra o período como um marco de fortalecimento da interiorização e superação dos desafios iniciais. Durante sua gestão, projetos voltados à formação específica para atender às necessidades regionais foram implementados, alinhando o ensino superior às demandas sociais e locais.

“O primeiro curso de odontologia, mestrado e doutorado da região norte foi aqui, além de termos fortalecido a área de engenharia, a área de medicina tropical, que já existia, mas era um curso que precisava ser fortalecido pelo Instituto Universitário e foi”, destacou Corrêa, citando também a criação de novos campos em São Gabriel da Cachoeira e Lábrea, e a articulação da estrutura científica para a área ambiental.

Legado e Impacto Contínuo

O professor Mário Bessa, presente na instituição desde sua fundação, testemunha o crescimento da UEA e seu impacto direto na formação profissional dos alunos. “Uma das coisas fortes da UEA é levar nível superior de qualidade para esses municípios que nós estamos tão distantes”, afirmou.

Ele ressalta a estratégia de ofertar cursos pontuais em algumas localidades, evitando a saturação do mercado de trabalho. “E, às vezes, a gente leva um curso para lá que só vai existir uma única turma, porque se nós repetirmos o próprio curso, satura o mercado de trabalho que nem existe”, explicou Bessa.

A UEA, em suas bodas de prata, consolida-se como um caminho de oportunidades, desenvolvimento e futuro para o Amazonas. Sua história, escrita por muitas mãos, continua a ser construída diariamente nas salas de aula, formando profissionais e cidadãos que impulsionam o progresso do estado.